Fontes, conceitos e escolhas do Painel Remuneração em MG, explicados passo a passo.
Esta página explica como foram calculados os números do Painel Remuneração em MG e da análise Quanto custa o funcionalismo em Minas Gerais?. As escolhas descritas aqui valem para todos os números, gráficos e tabelas do Painel.
O ponto de partida é a folha de pagamento que o próprio Governo de Minas publica no Portal da Transparência: são mais de 20 milhões de registros de pagamento entre janeiro de 2018 e agosto de 2026. Para comparar períodos com segurança, analisamos em detalhe cinco meses de referência (nov/2018, nov/2022, ago/2025, nov/2025 e ago/2026), que somam cerca de 2,6 milhões de pagamentos. Só em novembro de 2025, a folha do Executivo pagou cerca de 560 mil servidores, entre ativos e aposentados.
1. De onde vêm os dados
- Folha de pagamento mensal dos servidores do Poder Executivo de Minas Gerais, publicada no Portal da Transparência do Estado.
- Os arquivos trazem nomes e matrículas, que usamos apenas para organizar os cálculos. Nenhum dado individual é publicado: todos os resultados são agregados.
2. Quais meses comparamos
- Novembro de 2018, 2022 e 2025 servem de referência para comparar o mesmo mês em anos diferentes.
- Agosto de 2026 é o mês mais recente disponível; agosto de 2025 permite compará-lo com o mesmo mês do ano anterior.
3. O que chamamos de remuneração
- Remuneração Bruta Total = remuneração básica − abate-teto + jetons + demais pagamentos eventuais + verba indenizatória.
- É o valor bruto, antes do desconto de imposto de renda e contribuição previdenciária.
- A partir de fevereiro de 2026, o Portal passou a mostrar a verba indenizatória em coluna própria; antes, ela fazia parte dos pagamentos eventuais. Por isso, ela entra no total de agosto de 2026, com aviso nas tabelas.
- Remuneração Bruta Média = Remuneração Bruta Total ÷ número de servidores.
4. Valores comparáveis no tempo
- Todos os valores em reais estão a preços de dezembro de 2025, corrigidos pelo IPCA (IBGE). Assim, um aumento só aparece quando foi maior que a inflação.
- Valores em dólar usam a cotação média do mês (PTAX, Banco Central), sem correção pela inflação.
5. Quem conta como servidor
- Cada pessoa conta uma vez em cada situação: ativa ou aposentada.
- Quem tem dois vínculos na mesma situação (por exemplo, professor com dois cargos) é contado uma vez, no vínculo de maior remuneração, e toda a sua remuneração é somada ali.
- Quem é ao mesmo tempo ativo em um cargo e aposentado em outro aparece uma vez entre os ativos e uma vez entre os aposentados.
- Pagamentos são os registros da folha; uma mesma pessoa pode ter mais de um.
6. Ativos e aposentados
- O Portal só publica a folha completa dos aposentados desde maio de 2025.
- Em 2018 não há aposentados no arquivo; em 2022 aparecem só alguns, em geral aposentados em um cargo e ainda ativos em outro.
- Por isso, as comparações desde 2018 usam apenas os ativos, e os aposentados são comparados só entre ago/2025, nov/2025 e ago/2026.
7. Setores e órgãos
- Os órgãos foram agrupados em 11 setores: Cultura e Patrimônio Histórico; Desenvolvimento e Infraestrutura; Educação – Rede Estadual; Educação – Universidades e Pesquisa; Fazenda; Governo; Meio Ambiente; Planejamento; Proteção Social; Saúde; Segurança Pública.
- Órgãos que mudaram de nome ao longo do tempo foram unificados (por exemplo, as várias denominações da Casa Civil e da SEPLAG).
- Os órgãos de Esporte, que só têm aposentados na folha, foram incluídos em Cultura e Patrimônio Histórico. O DETRAN-MG, autarquia desde a Lei nº 24.313/2023, aparece em Planejamento.
8. Cargos, carreiras e funções de direção
- Os cargos foram reunidos em grupos e carreiras (por exemplo, praças e oficiais da Polícia Militar, médicos, professores).
- Funções de direção identificáveis na folha, como a de diretor de escola, prevalecem sobre o cargo de origem.
- Os professores designados (contratados temporariamente) só podem ser identificados a partir de 2026, pelo símbolo do cargo informado no Portal.
9. Teto constitucional
- Em Minas Gerais, o teto do Executivo é o subsídio do Governador (R$ 41.845,49 em 2025 e 2026); Procuradores do Estado e Advogados Autárquicos seguem o teto do STF.
- Mostramos três números diferentes: (A) servidores cuja remuneração foi reduzida pelo abate-teto; (B) servidores que, mesmo após o abate, recebem acima do teto em algum vínculo; (C) servidores cuja remuneração total, somando vínculos e parcelas que não entram no teto, ultrapassa o limite.
10. Desigualdade
- Usamos o Índice de Gini: 0 significa que todos recebem o mesmo; 1, que uma única pessoa recebe tudo.
- A referência é o Gini dos rendimentos do trabalho das pessoas ocupadas em Minas Gerais e no Brasil (IBGE, PNAD Contínua). As medidas não são idênticas: a do Estado considera apenas o que o Executivo paga a seus servidores.
11. Mulheres e homens
- A folha não informa o sexo. Ele foi estimado pelo primeiro nome, com base na frequência de nomes por sexo do Censo 2010 (IBGE).
- O sexo foi identificado para 95,5% dos servidores; nomes usados por homens e mulheres foram tratados como não identificados. Esse grupo pode alterar a participação feminina em no máximo cerca de 3 pontos percentuais.
12. Cuidados com os números
- Médias de grupos com menos de 5 servidores não são divulgadas.
- Todas as tabelas foram conferidas automaticamente: os totais de servidores e de remuneração batem entre si em todas elas.
13. O que fica de fora
- Os demais Poderes e órgãos autônomos (Tribunal de Justiça, Assembleia Legislativa, Tribunal de Contas, Ministério Público e Defensoria Pública), que têm folhas próprias.
- Os honorários advocatícios de sucumbência dos Procuradores do Estado, pagos fora do sistema de folha.
- A remuneração de trabalhadores terceirizados e de empregados de empresas estatais.
- Estagiários e pensões da antiga MinasCaixa, que não são servidores, aparecem separados.
Fontes
- Minas Gerais. Portal da Transparência do Estado de Minas Gerais – Servidores (remuneração), nov/2018 a ago/2026.
- IBGE. Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor – IPCA (SIDRA, tabela 1737).
- IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (SIDRA, tabela 7453); Estimativas da população (SIDRA, tabela 6579).
- Banco Central do Brasil. Taxa de câmbio PTAX – venda, média mensal (SGS 3698).
- IBGE. Censo Demográfico 2010 – Nomes no Brasil, compilado por Brasil.IO (genero-nomes).
- Constituição Federal, art. 37, XI; Lei estadual nº 24.314/2023; STF, Temas 377 e 384.
Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.
Para citar: (a completar)
