Quanto custa o funcionalismo em Minas Gerais?

Vista do alto do Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais: servidores públicos de várias categorias, com faixas sindicais, acompanham das galerias a votação da recomposição salarial; abaixo, o plenário de cadeiras vermelhas.
Servidores de diversas categorias acompanham, das galerias da Assembleia Legislativa, a votação da recomposição salarial do Executivo (6/6/2024). Foto: Luiz Santana/ALMG.

Um diagnóstico didático e descomplicado sobre o peso, o valor e a realidade dos salários públicos na Administração Pública de Minas Gerais.

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Muito se fala sobre a remuneração do funcionalismo público estadual. Mas você sabe quanto, em média, recebe um servidor de Minas Gerais? Qual setor ou órgão paga mais? E a distribuição dos salários no Estado se parece com a do mercado de trabalho mineiro?

Este diagnóstico foi criado para responder a essas perguntas em linguagem simples, transparente e acessível a qualquer cidadão. O ponto de partida é a folha de pagamento que o próprio Governo de Minas publica no Portal da Transparência: são mais de 20 milhões de registros de pagamento entre janeiro de 2018 e agosto de 2026. Para comparar períodos com segurança, analisamos em detalhe cinco meses de referência (nov/2018, nov/2022, ago/2025, nov/2025 e ago/2026), que somam cerca de 2,6 milhões de pagamentos. Em novembro de 2025, a folha do Executivo pagou cerca de 560 mil servidores, entre ativos e aposentados. Com essa série histórica, temos dados para comparar a remuneração do servidor público estadual desde o último ano (nov/18) do Governo Fernando Pimentel, até o último do segundo mandato do Governador Romeu Zema/Mateus Simões (ago/26), passando pelo último ano de seu primeiro mandato (nov/22).

Naturalmente, há diferença de pagamentos e quantidade de servidores entre todos os meses de cada ano. O mês de novembro foi escolhido por melhor representar a mediana de pagamentos e valores. Agosto/26 era o último mês disponível no início desse estudo. Vale ressaltar que os valores analisados se referem apenas à remuneração paga ao servidor e não inclui despesas com Obrigações Patronais. Todos os valores analisados estão a preços de dez/25, corrigidos pelo IPCA. Valores nominais podem ser pesquisado no Painel Power BI.

Não constam do Portal da Transprência os dados da remuneração dos funcionários públicos da empresas estatais Estado de Minas Gerais (Cemig, Copasa-recentemente privatizada, Codemge, Cohab, BDMG, Gasmig, MGI, MGS, Metrominas, Emater, Epamig, EMC e Prodemge). Também não foi considerada a remuneração de terceirizados, que, no Portal, são apenas listados com nome, órgão e empresa contratante, sem o valor da remuneração praticada. Além disso, os honorários de sucumbência dos Procuradores do Estado não estão na folha analisada, pois não estão disponíveis no Portal da Transparência. Isso permite afirmar que essa, certamente, é a categoria com a maior remuneração no Governo do Estado de Minas Gerais.

Painel Remuneração em MG

Os custos da remuneração no setor público explicados

559.967servidores do Executivo, ativos e aposentados (nov/2025)
R$ 3,96 bifolha bruta mensal (nov/2025)
R$ 7.064remuneração bruta média (nov/2025)
+10,5%crescimento da média dos ativos acima da inflação, nov/2018 a ago/2026
0,411desigualdade (Gini) da remuneração dos ativos, nov/2025
0,463Gini dos rendimentos do trabalho em Minas Gerais, 2025 (IBGE)

Remuneração Bruta Média dos ativos por setor – Minas Gerais – nov/2025

FazendaR$ 29.397
GovernoR$ 19.466
Segurança PúblicaR$ 10.994
Meio AmbienteR$ 10.133
Desenv. e InfraestruturaR$ 9.930
PlanejamentoR$ 8.679
Educação – UniversidadesR$ 8.526
SaúdeR$ 7.436
Proteção SocialR$ 6.283
Cultura e PatrimônioR$ 5.985
Educação – Rede EstadualR$ 3.967

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA. Gini de Minas Gerais: IBGE, PNAD Contínua (SIDRA 7453).

O que você vai encontrar

  • Parte 1 – Quem são e quanto ganham: quantos são os servidores, quanto custa a folha e como a remuneração média evoluiu desde 2018, já descontada a inflação; como os servidores se distribuem por faixas de salário mínimo, em comparação com os trabalhadores de Minas Gerais e do Brasil; e quanto recebem o Governador, o Vice-Governador, os Secretários e os Secretários-Adjuntos.
  • Parte 2 – Principais Carreiras: Educação (incluindo professores efetivos e designados e diretores de escola), Segurança Pública e Saúde.
  • Parte 3 – Desigualdade, mulheres e teto: como a remuneração se distribui, quanto recebem mulheres e homens e quem recebe no limite do teto constitucional.
  • Parte 4 – A estrutura de cargos: quantos cargos efetivos existem em cada setor e como cargos de mesmo nome (auxiliar, assistente, técnico, analista, gestor) pagam valores muito diferentes conforme o órgão.
  • Painel interativo (Power BI) para consultar os números por setor, órgão e cargo.
  • Versão completa em PDF para baixar (ao final do artigo).

Parte 1 – Quem são e quanto ganham

Em novembro de 2025, o Poder Executivo de Minas Gerais pagou R$ 3,96 bilhões em remuneração bruta a 559.967 servidores: 325.705 ativos e 234.262 inativos. A Remuneração Bruta Média foi de R$ 7.064 por servidor.

Descontada a inflação, a Remuneração Bruta Média dos ativos caiu 1,6% entre nov/2018 e nov/2022 (de R$ 6.027 para R$ 5.929) e se recuperou depois: R$ 6.472 em nov/2025, 9,1% acima de 2022, e R$ 6.660 em ago/2026. No período todo, o ganho real chega a 10,5%. Parte da alta de 2026 vem de uma mudança na forma de divulgação dos dados: desde fev/2026, o Portal da Transparência publica a verba indenizatória em coluna própria, e ela entra no cálculo de ago/2026. Comparando meses equivalentes, nov/2018 e nov/2025, o ganho real é de 7,4% em sete anos, cerca de 1% ao ano.

Os inativos recebem, em média, R$ 7.889 em nov/2025, 22% acima do recebido pelos ativos. O Portal só publica a folha completa dos inativos desde mai/2025. Em razão disso, a linha com esses dados começa em 2025.

Gráfico 1 – Remuneração Bruta Média dos servidores ativos e inativos – Minas Gerais – nov/2018 a ago/2026

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA. O Portal da Transparência só publica a folha completa dos inativos desde mai/2025.

Nota: Em ago/2026, a remuneração inclui a verba indenizatória, que o Portal passou a divulgar em coluna própria em fev/2026.

O número de servidores ativos ficou praticamente estável. Eram 322.398 em nov/2018, caíram para 312.399 em nov/2022 e voltaram a 325.705 em nov/2025, patamar mantido em ago/2026. Entre 2022 e 2025, a quantidade de ativos cresceu 4,3%, enquanto a Remuneração Bruta Média cresceu 9,1%: o aumento recente da folha veio mais do valor pago a cada servidor do que do tamanho do quadro. A quantidade de servidores oscila, ao longo do ano, principalmente devido às contratações temporárias, sobretudo na Educação.

Gráfico 2 – Servidores ativos do Poder Executivo – Minas Gerais – nov/2018 a ago/2026

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Servidor = pessoa em cada situação (ativo ou inativo), contada uma vez.

A média estadual esconde diferenças grandes entre os setores. Em nov/2025, a Remuneração Bruta Média dos ativos ia de R$ 3.967 na Educação – Rede Estadual a R$ 29.397 na Fazenda, uma variação 7,4 vezes maior. Depois da Fazenda vêm Governo (R$ 19.466) e Segurança Pública (R$ 10.994). Ficam abaixo da média estadual (R$ 6.472) apenas Proteção Social, Cultura e Patrimônio Histórico e a Educação – Rede Estadual. Como a Educação reúne quase dois terços dos ativos, é ela quem puxa a média do Estado para baixo.

Entre nov/2018 e nov/2025, todos os setores tiveram ganho real. Os maiores foram em Governo (+40,8%), Proteção Social (+29,5%) e Universidades e Pesquisa (+20,1%). Os menores se registraram na Educação – Rede Estadual (+5,5%) e na Saúde (+7,5%). A Educação perdeu 8,5% entre 2018 e 2022 e recuperou 15,2% entre 2022 e 2025. O botão Reproduzir no gráfico a seguir mostra essa trajetória ponto a ponto.

Gráfico 3 – Remuneração Bruta Média dos servidores ativos por setor – Minas Gerais – nov/2018 a ago/2026

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA. Linha vertical: média estadual dos ativos.

Nota: Em ago/2026, a remuneração inclui a verba indenizatória, que o Portal passou a divulgar em coluna própria em fev/2026.

Três setores concentram quase todo o funcionalismo. A Educação – Rede Estadual tem 359.872 servidores, ativos e inativos (64% do total); a Segurança Pública, 129.905 (23%) e a Saúde, 29.910 (5%). Outros oito setores somam cerca de 40 mil servidores. Em quatro deles (Planejamento, Desenvolvimento e Infraestrutura, Fazenda e Proteção Social), há mais inativos do que ativos.

Gráfico 4 – Servidores ativos e inativos por setor – Minas Gerais – nov/2025 e ago/2026

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Por órgão, a Secretaria de Educação sozinha responde por 359.225 servidores. Em seguida, vêm a Polícia Militar (80.968), a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (21.455), que inclui a Polícia Penal, e a Fhemig (15.950). Clique em um setor do gráfico para ver os órgãos que o compõem.

Gráfico 5 – Servidores por setor e órgão – Minas Gerais – nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Ativos e inativos. Clique em um setor para ver seus órgãos.

Faixas de remuneração em salários mínimos

Outra forma de olhar a remuneração é pelo número de salários mínimos (SM) que cada servidor recebe. Em nov/2025, com o SM de R$ 1.518, 27% dos servidores ativos do Executivo recebiam até 2 SM, 44% entre 2 e 5 SM e 28% mais de 5 SM. Entre todos os trabalhadores ocupados de Minas Gerais, a distribuição é praticamente o inverso. Segundo a PNAD Contínua do IBGE, em 2025, 70% recebiam até 2 SM e só 8% mais de 5 SM. No Brasil, as proporções são parecidas (70% e 9%).

O servidor estadual se concentra, portanto, nas faixas intermediárias, enquanto o mercado de trabalho como um todo se concentra perto do salário mínimo. A diferença reflete, em boa parte, quem é o servidor. O ingresso se dá por concurso ou seleção. Muitos cargos exigem nível superior e o vínculo é formal. Já a PNAD inclui trabalhadores informais, por conta própria e em jornada parcial. A comparação mostra a posição do funcionalismo na estrutura de rendimentos do Estado. Não compara salários de quem faz o mesmo trabalho. As proporções da PNAD foram estimadas a partir dos percentis de rendimento publicados pelo IBGE.

Gráfico 6 – Distribuição por faixa de salário mínimo: servidores ativos do Executivo e trabalhadores ocupados de Minas Gerais e do Brasil – 2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG e de IBGE, PNAD Contínua anual 2025 (SIDRA 7536).

Nota: Servidores: Remuneração Bruta Total 1 de nov/2025, em valores nominais. Trabalhadores: rendimento habitual de todos os trabalhos das pessoas ocupadas com rendimento, a preços médios de 2025; as proporções por faixa foram estimadas por interpolação linear entre os percentis divulgados pelo IBGE. Salário mínimo de 2025: R$ 1.518,00.

Por setor, as diferenças são grandes. Na Educação – Rede Estadual, 37% dos servidores recebem até 2 SM e apenas 12% passam de 5 SM. Proteção Social (43% até 2 SM) e Desenvolvimento e Infraestrutura (38%) também têm muitos servidores nas faixas mais baixas. No outro extremo, 44% dos servidores da Fazenda recebem mais de 20 SM. Na Segurança Pública, metade está entre 5 e 10 SM, e só 1% recebe até 2 SM.

Por grupo de cargo (botão Por grupo de cargo), o contraste é ainda maior: 93% dos auxiliares e 54% dos assistentes recebem até 2 SM, e 90% dos ajudantes, até 1 SM. Entre os professores, 67% estão entre 2 e 5 SM. Já 99% dos procuradores e 61% dos fiscais passam de 20 SM. A faixa de até 1 SM (5,6% do total) reflete, em geral, jornadas parciais, designações com poucas aulas e meses incompletos, e não um salário-base abaixo do mínimo.

Gráfico 7 – Distribuição dos servidores por faixa de salário mínimo, por setor e por grupo de cargo – Minas Gerais – nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Servidores ativos e inativos. Faixas aplicadas à Remuneração Bruta Total 1 nominal de nov/2025 (salário mínimo de R$ 1.518,00). Setores e grupos ordenados pela Remuneração Bruta Média. Valores até 1 SM refletem, em geral, jornadas parciais, designações com poucas aulas e meses incompletos.

Governador, Vice-Governador e Secretários

No topo da administração, a remuneração é fixada em lei. Desde fev/2025, pela Lei estadual nº 24.314/2023, o Governador recebe R$ 41.845,49, valor que é também o teto do Executivo; o Vice-Governador, R$ 37.660,94; os Secretários de Estado, R$ 34.774,64; e os Secretários-Adjuntos, R$ 31.297,18. A lei elevou esses subsídios de forma escalonada entre 2023 e 2025. Descontada a inflação, a Remuneração Bruta Média dos Secretários de Estado sem cargo efetivo passou de R$ 11.599 em nov/2022 para R$ 30.169 em nov/2025, um aumento de 160,1%.

A folha disponível no Portal da Transparência confirma os valores do Governador e do Vice-Governador em nov/2025. Entre os Secretários, há duas situações. Os que não são servidores do Estado receberam, em média, um pouco menos do que o subsídio (R$ 30.070 os Secretários e R$ 29.327 os Adjuntos), porque alguns tomaram posse ou deixaram o cargo no meio do mês. Já os que são servidores efetivos, 3 dos 13 Secretários e 5 dos 14 Secretários-Adjuntos, receberam em média R$ 39.364 e R$ 37.976, acima do subsídio do cargo. Em ago/2026, eram 5 os Secretários de Estado com cargo efetivo, e o maior valor pago a um deles foi de R$ 48.943, acima do subsídio do Governador.

Os cargos efetivos de origem desses Secretários são, na maioria, de Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, além de Agente Governamental, Analista Ambiental, Analista Educacional, Fiscal Agropecuário, Especialista em Políticas e Gestão da Saúde e Procurador do Estado. O Portal da Transparência permite identificá-los pela coluna de cargo em comissão, mas não informa como cada parcela foi calculada. Fica sem explicação pública por que a remuneração de um servidor efetivo nomeado Secretário supera o subsídio fixado em lei para o cargo.

Gráfico 8 – Governador, Vice-Governador, Secretários e Secretários-Adjuntos de Estado: subsídio fixado em lei e Remuneração Bruta Média paga – Minas Gerais – nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Valores nominais de nov/2025. Subsídios da Lei estadual nº 24.314/2023, vigentes desde fev/2025. Entre parênteses, o número de ocupantes. Servidor efetivo = ocupante que também tem cargo efetivo no Estado, identificado pela coluna de cargo em comissão do Portal. Barras em laranja: média paga acima do subsídio. Linha pontilhada: Remuneração Bruta Média nominal dos servidores ativos.

Parte 2 – Principais Carreiras

Educação

Na rede estadual de ensino, os 129.957 professores ativos recebiam em média R$ 4.494 em nov/2025, 5,9% acima de 2018 em termos reais. A média reflete também jornadas e cargas de aula diferentes. Os menores valores estão nas carreiras de apoio. Os 37.749 auxiliares de serviços (limpeza, cantina e portaria) recebiam R$ 1.605, e os 18.730 assistentes técnicos de secretaria escolar, R$ 2.947, ambos com perda real desde 2018. No outro extremo, os cargos de direção (diretores de escola e superintendentes regionais) tinham média de R$ 10.213, e os analistas e técnicos da gestão educacional, de R$ 7.506 (+18,7%).

Gráfico 9 – Remuneração Bruta Média dos servidores ativos por carreira – Educação, Rede Estadual – Minas Gerais – nov/2018 e nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA.

Boa parte dos professores não é efetiva. Em ago/2026, primeiro mês em que o Portal informa o símbolo do cargo, 74.291 dos 127.738 professores de educação básica ativos (58%) eram designados, isto é, contratados temporariamente. A média dos designados era de R$ 3.784, cerca de dois terços da dos efetivos (R$ 5.783). Entre os especialistas em educação básica, 48% são designados. Por falta do símbolo nos meses anteriores, não é possível ver como essa proporção evoluiu.

Gráfico 10 – Servidores ativos efetivos e designados por cargo – Educação – Minas Gerais – ago/2026

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Designados são contratados temporariamente, identificados pelo símbolo do cargo (PEBD, PEBS, EEBD e outros), que o Portal só informa desde fev/2026. Passe o cursor para ver quantidades e médias.

Os diretores de escola estadual passaram de 3.584 em nov/2018 para 3.410 em ago/2026. Sua Remuneração Bruta Média caiu de R$ 9.783 para R$ 8.741 entre 2018 e 2022 e subiu para R$ 10.202 em nov/2025, alta real de 16,7% em três anos.

Gráfico 11 – Remuneração Bruta Média dos diretores de escola estadual – Minas Gerais – nov/2018 a ago/2026

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA. Passe o cursor para ver o número de diretores.

Nota: Em ago/2026, a remuneração inclui a verba indenizatória, que o Portal passou a divulgar em coluna própria em fev/2026.

Segurança Pública

Na Segurança Pública, a maior carreira é a dos 35.779 praças da Polícia Militar, com média de R$ 10.559 em nov/2025 (+9,1% real desde 2018). Os maiores ganhos foram na base: Polícia Penal (+30,7%, para R$ 8.664), investigadores da Polícia Civil (+21,5%, R$ 12.935) e praças dos Bombeiros (+14,1%, R$ 10.832). No topo, delegados (R$ 25.151), peritos e médicos legistas (R$ 25.066) e oficiais da PM (R$ 23.392) tiveram variação real pequena ou negativa. A distância entre base e topo diminuiu, o que ajuda a explicar por que este é o setor menos desigual do Executivo (Parte 3).

Gráfico 12 – Remuneração Bruta Média dos servidores ativos por carreira – Segurança Pública – Minas Gerais – nov/2018 e nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA.

Saúde

Na Saúde, a maior carreira é a de enfermagem (enfermeiros, técnicos e auxiliares, que a Fhemig registra num cargo único), com 6.208 servidores e média de R$ 6.212, alta real de 26,6% desde 2018. Os 2.419 médicos recebiam em média R$ 13.100, valor 2,2% menor que o de 2018. Os analistas e especialistas de nível superior (R$ 8.657) e os técnicos de saúde (R$ 4.930) completam o quadro.

Gráfico 13 – Remuneração Bruta Média dos servidores ativos por carreira – Saúde – Minas Gerais – nov/2018 e nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA.

Parte 3 – Desigualdade, mulheres e teto

O Índice de Gini mede a desigualdade: vale 0 quando todos recebem o mesmo e 1 quando uma única pessoa recebe tudo. Entre os ativos do Executivo, ele ficou praticamente parado: 0,412 em nov/2018 e 0,411 em nov/2025. É melhor do que a desigualdade dos rendimentos do trabalho em Minas Gerais (0,463) e no Brasil (0,491) em 2025, segundo o IBGE. As medidas não são idênticas, porque a do Estado considera só o que o Executivo paga aos seus servidores, mas a comparação indica a ordem de grandeza.

Por setor, o Gini caiu em 10 dos 11. O mais desigual é Governo (0,461), que reúne cargos de direção e carreiras muito diferentes O menos desigual é a Segurança Pública (0,260). A única alta foi na Educação – Rede Estadual (de 0,315 para 0,322).

Gráfico 14 – Desigualdade da remuneração dos servidores ativos (Índice de Gini) por setor – Minas Gerais – nov/2018 e nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Índice de Gini: 0 = todos recebem o mesmo; 1 = uma única pessoa recebe tudo. Linhas pontilhadas: Gini do rendimento de todos os trabalhos das pessoas ocupadas em Minas Gerais e no Brasil em 2025 (IBGE, PNAD Contínua, SIDRA 7453). As medidas não são idênticas: a do Estado considera só o que o Executivo paga a seus servidores.

A curva de Lorenz mostra a mesma coisa de outro jeito. Ela acumula a remuneração dos servidores do menor para o maior valor. Em nov/2025, os 10% mais bem pagos recebiam 30% de toda a remuneração dos ativos, e a metade com os menores valores ficava com 22%.

Gráfico 15 – Curva de Lorenz da remuneração dos servidores ativos – Minas Gerais – nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Quanto mais longe da linha de igualdade, maior a desigualdade.

As mulheres são 63% dos servidores ativos (eram 62% em 2018). A presença varia muito entre os setores: elas são 79% na Educação – Rede Estadual e 74% na Saúde, mas só 21% na Segurança Pública e 37% na Fazenda. Como a folha não informa o sexo, ele foi estimado pelo primeiro nome, com base no Censo do IBGE; 95,5% dos servidores foram identificados.

Gráfico 16 – Participação das mulheres entre os servidores ativos por setor – Minas Gerais – nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Sexo estimado pelo primeiro nome, com base no Censo 2010 (IBGE); 95,5% dos servidores identificados.

Em 10 dos 11 setores, a Remuneração Bruta Média das mulheres é menor que a dos homens. As maiores distâncias estão na Fazenda (R$ 21.620 contra R$ 31.211, ou 69%), no Planejamento (73%), em Governo (75%), na Saúde (75%) e na Segurança Pública (77%). Na Educação – Rede Estadual (95%) e no Meio Ambiente (97%), os valores são próximos. A exceção é Desenvolvimento e Infraestrutura, onde as mulheres recebem 24% a mais. Como a remuneração é fixada em lei para cada cargo, essas diferenças refletem sobretudo os cargos e níveis que mulheres e homens ocupam, e não salários diferentes para o mesmo cargo.

Gráfico 17 – Remuneração Bruta Média de mulheres e homens por setor – Minas Gerais – nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA. Servidores ativos e inativos.

A Constituição limita a remuneração dos servidores do Executivo ao subsídio do Governador, de R$ 41.845,49 em 2025 e 2026. Quando a soma passa desse valor, o excedente é cortado pelo abate-teto. O número de servidores com abate-teto triplicou: 987 em nov/2018, 2.319 em nov/2025 e 3.048 em ago/2026. A maioria está na Fazenda (sobretudo auditores fiscais), na Polícia Militar, na Polícia Civil e na Advocacia-Geral do Estado (não inclui pagamentos por participação em causas judiciais, em virtude dos dados não estarem disponíveis no Portal da Transparência). Em nov/2025, o corte somou R$ 17,7 milhões.

Mesmo depois do corte, alguns servidores recebem acima do teto em algum vínculo (43 em ago/2026), por causa de parcelas que a lei deixa fora do limite. Somando todos os vínculos e parcelas, como indenizações, férias e pagamentos eventuais, 2.094 servidores tiveram remuneração total acima do teto em ago/2026, contra 461 em nov/2018. Os honorários de sucumbência dos procuradores do Estado não aparecem na folha publicada e, por isso, não estão nesses números.

Gráfico 18 – Servidores e o teto constitucional – Minas Gerais – nov/2018 a ago/2026

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: (A) remuneração reduzida pelo abate-teto; (B) recebe acima do teto em algum vínculo, já descontado o abate; (C) remuneração total acima do teto, somando vínculos e parcelas que não entram no teto. Cada painel tem escala própria.

Nota: Teto do Executivo: subsídio do Governador (R$ 41.845,49 em 2025–2026); Procuradores do Estado e Advogados Autárquicos: subsídio de Ministro do STF.

Parte 4 – A estrutura de cargos

Por trás das médias salariais, existe uma estrutura de cargos fragmentada. Em nov/2025, os 321.583 servidores ativos com cargo efetivo estavam distribuídos em 196 cargos efetivos de denominação diferente, criados por leis próprias de cada carreira, e o Executivo usava 333 denominações de cargos em comissão. Esse número ainda subestima a complexidade da estrutura salarial, porque o Portal não informa o nível, o grau ou a classe de cada servidor, que multiplicam as posições nas tabelas salariais.

A fragmentação é muito desigual entre os setores. A Educação – Rede Estadual reúne 205 mil servidores ativos em apenas 18 cargos, cerca de 11,4 mil por cargo. Na Saúde, 17 mil servidores se dividem em 73 cargos; em Desenvolvimento e Infraestrutura, 2,6 mil em 63; e em Cultura e Patrimônio Histórico, 549 servidores em 46 cargos, cerca de 12 por cargo. Ao longo do tempo, fundações, autarquias e secretarias criaram planos de carreira próprios.

Gráfico 19 – Cargos efetivos distintos e servidores por cargo, por setor – Minas Gerais – nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Servidores ativos com cargo efetivo, contados uma vez. Cargo efetivo conforme a denominação do Portal, que não informa nível, grau ou classe. Um mesmo cargo pode existir em mais de um setor.

O resultado são cargos de mesmo nome, voltados a atividades semelhantes, com remunerações muito diferentes conforme o órgão. Entre os auxiliares, a Remuneração Bruta Média vai de R$ 1.605 (Auxiliar de Serviços de Educação Básica) a cerca de R$ 7 mil (Auxiliar de Gestão e Registro Empresarial). Entre os analistas, de R$ 3.714 (Analista de Educação Básica) a R$ 24.320 (Analista Fazendário de Administração e Finanças), 6,5 vezes mais. Entre os técnicos, de R$ 3.974 a R$ 12.509 (Técnico Fazendário de Administração e Finanças); entre os gestores, de R$ 4.358 a R$ 29.061 (Gestor Fazendário). O padrão se repete em quase todos os grupos de cargos: mais uma vez, a Educação fica na ponta de baixo e a Fazenda, na de cima.

As médias incluem vantagens pessoais, gratificações e tempo de serviço, e cargos de mesmo nome podem exigir escolaridade e responsabilidades diferentes. Por isso, a comparação não prova que todos deveriam receber o mesmo. Contudo, mostra que a estrutura remuneratória do Estado foi construída por partes, carreira a carreira, e que essa construção produziu distorções entre órgãos e setores que qualquer revisão (necessária) das carreiras terá de enfrentar.

Gráfico 20 – Remuneração Bruta Média dos cargos efetivos de mesma denominação: auxiliares, assistentes, técnicos, agentes, especialistas, analistas e gestores – Minas Gerais – nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA. Servidores ativos. Cada círculo é um cargo efetivo com 5 servidores ou mais; o tamanho indica o número de servidores. Família = cargos cujo nome começa pela mesma palavra. A média inclui vantagens pessoais, gratificações e parcelas eventuais. Passe o cursor para ver o cargo.

Em síntese: quanto custa o funcionalismo de Minas Gerais

O funcionalismo do Executivo mineiro custa cerca de R$ 4 bilhões por mês em remuneração bruta, pagos a 560 mil servidores, ativos e inativos. Os principais destaques do diagnóstico são:

  • Folha estável no tamanho, crescente no valor. O número de ativos está em torno de 325 mil desde 2018. A Remuneração Bruta Média dos ativos caiu até 2022 e subiu depois: o ganho real entre nov/2018 e nov/2025 foi de 7,4%, cerca de 1% ao ano.
  • Dois setores são quase todo o funcionalismo. Educação – Rede Estadual e Segurança Pública reúnem 87% dos servidores. Só a Segurança Pública responde por cerca de 43% da folha bruta.
  • Os inativos pesam e ganham mais. São 234 mil, com média de R$ 7.889, 22% acima da dos ativos.
  • Servidores concentrados nas faixas intermediárias. Só 27% dos servidores ativos recebem até 2 salários mínimos, contra 70% dos trabalhadores ocupados de Minas Gerais. Na outra ponta, 28% recebem mais de 5 salários mínimos, contra 8% dos trabalhadores do Estado.
  • Secretários efetivos recebem acima do subsídio. O Governador e o Vice recebem exatamente o valor da lei. Já os Secretários de Estado que são servidores efetivos receberam em média R$ 39.364 em nov/2025, 13% acima do subsídio de R$ 34.775. O Portal da Transparência mostra quem são, mas não a composição desse valor.
  • Diferenças grandes entre setores e carreiras. A média da Fazenda (R$ 29.397) é 7,4 vezes a da Educação – Rede Estadual (R$ 3.967). Professores ganham em média R$ 4.494, e 58% dos professores de educação básica são designados, com média de dois terços da dos efetivos.
  • Os ganhos recentes foram maiores na base das carreiras. Polícia Penal, investigadores e enfermagem tiveram as maiores altas reais Delegados, oficiais e médicos ficaram estáveis ou perderam.
  • Menos desigual que o mercado de trabalho. O Gini dos ativos (0,411) é menor do que o dos rendimentos do trabalho em Minas Gerais (0,463), mas os 10% mais bem pagos recebem 30% da remuneração.
  • Maioria feminina, remuneração menor. As mulheres são 63% dos ativos, mas recebem menos que os homens em 10 dos 11 setores, sobretudo pelos cargos que ocupam.
  • Mais gente no teto. Os servidores com abate-teto triplicaram desde 2018 e chegaram a 3.048 em ago/2026. 2.094 tiveram remuneração total acima do teto.
  • Uma estrutura de cargos fragmentada. O Executivo tem 196 cargos efetivos e 333 cargos em comissão distribuídos por 53 órgãos. Cargos com o mesmo nome pagam valores muito diferentes. A média dos analistas vai de R$ 3.714 a R$ 24.320, conforme o órgão.

Esses números mostram o custo da folha do Executivo. Para avaliar se ele cabe no orçamento, é preciso compará-lo com a receita do Estado e com os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal, tema dos próximos posts do Estadosfera em Números.

Como calculamos

Fontes, conceitos e escolhas do diagnóstico estão explicados passo a passo em Como calculamos: a metodologia do Painel Remuneração em MG.

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Para citar: SILBERSCHNEIDER, Wieland. Quanto custa o funcionalismo em Minas Gerais? Estadosfera em Números, Belo Horizonte, out. 2026. Disponível em: https://www.estadosfera.com.br/estadosfera-em-numeros/minas-gerais/mg-remuneracao/quanto-custa-o-funcionalismo-em-minas-gerais/. Acesso em: [data do acesso].

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Sobre Wieland 67 Artigos
Wieland Silberschneider é Doutor em Economia e Mestre em Sociologia pela Universidade de Minas Gerais.