Saúde em Minas: o Estado perdeu um quarto dos médicos desde 2018

Fachada do Hospital João XXIII, da Fhemig, em Belo Horizonte, com ambulância e veículos estacionados em frente.
Foto: reprodução.

Quanto ganham médicos, profissionais de enfermagem, técnicos e analistas da Saúde estadual em Minas Gerais, quanto isso custa ao Estado e como a remuneração mudou desde 2018.

O setor Saúde reúne a Secretaria de Estado de Saúde (SES), a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), responsável pela rede de hospitais estaduais, a Fundação Hemominas, a Fundação Ezequiel Dias (Funed) e a Escola de Saúde Pública (ESP-MG). Quantos são e quanto recebem esses servidores? Que carreiras ganham mais? E o que mudou na composição do quadro desde 2018?

Este post faz parte do diagnóstico Quanto custa o funcionalismo em Minas Gerais? e segue a mesma estrutura e a mesma metodologia. Os dados vêm da folha de pagamento publicada pelo Governo de Minas no Portal da Transparência, em quatro meses de referência para os ativos (nov/2018, nov/2022, nov/2025 e ago/2026) e três para os inativos (ago/2025, nov/2025 e ago/2026), já que o Portal só publica a folha completa dos inativos desde mai/2025. Todos os valores estão a preços de dez/2025, corrigidos pelo IPCA, e se referem apenas à remuneração paga ao servidor, sem as obrigações patronais.

Remuneração Saúde-MG

Saúde: SES, Fhemig, Hemominas, Funed e Escola de Saúde Pública

29.910servidores do setor, ativos e inativos (nov/2025)
R$ 193,2 mifolha bruta mensal, 4,9% da folha do Executivo (nov/2025)
R$ 7.436remuneração bruta média dos ativos, 1,1 vez a do Executivo (nov/2025)
R$ 5.056remuneração bruta média dos inativos (nov/2025)
+7,5%variação real da média dos ativos, nov/2018 a nov/2025
0,294desigualdade (Gini) da remuneração dos ativos, o quarto menor entre os 11 setores (nov/2025)

Remuneração Bruta Média dos ativos por órgão – Saúde – Minas Gerais – nov/2025

Escola de Saúde PúblicaR$ 11.350
FunedR$ 7.936
Secretaria de Saúde (SES)R$ 7.602
FhemigR$ 7.388
HemominasR$ 7.032
SaúdeR$ 7.436
ExecutivoR$ 6.472

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA.

O que você vai encontrar

  • Parte 1 – Quem são e quanto ganham: quantos são os servidores do setor, quanto custa a folha, como a remuneração evoluiu desde 2018 em cada órgão, o peso dos inativos e a distribuição por faixas de salário mínimo, em comparação com o Executivo e com os trabalhadores de Minas Gerais e do Brasil.
  • Parte 2 – Principais carreiras: médicos, profissionais de enfermagem, técnicos e analistas de saúde, as carreiras de gestão e os cargos com mais servidores, inclusive os contratados.
  • Parte 3 – Desigualdade, mulheres e teto: quão desigual é a remuneração no setor, quanto recebem mulheres e homens em cada carreira e quem recebe no limite do teto constitucional.
  • Parte 4 – A estrutura de cargos: quantos cargos efetivos existem em cada órgão e como cargos de funções parecidas pagam valores diferentes conforme o órgão.
  • Painel interativo (Power BI) para consultar os números por órgão e cargo.

Parte 1 – Quem são e quanto ganham

Em novembro de 2025, a folha da Saúde pagou R$ 193,2 milhões em remuneração bruta a 29.910 servidores: 17.620 ativos e 12.290 inativos. O setor reúne 5,3% dos servidores do Executivo e 4,9% da folha, o equivalente a R$ 9,03 por habitante de Minas Gerais, todo mês. A Remuneração Bruta Média do setor foi de R$ 6.458.

Descontada a inflação, a Remuneração Bruta Média dos ativos passou de R$ 6.920 em nov/2018 para R$ 7.665 em nov/2022 (+10,8%) e R$ 7.436 em nov/2025 (−3,0% em três anos). Em ago/2026, chegou a R$ 7.616, valor que já inclui a verba indenizatória, divulgada em coluna própria desde fev/2026. Entre nov/2018 e nov/2025, a variação real foi de +7,5%, contra +7,4% no conjunto do Executivo. Em nov/2025, um servidor ativo da Saúde recebia, em média, 1,1 vez a média do Executivo (R$ 6.472). É a oitava maior média entre os 11 setores do Executivo. Depois do ganho entre 2018 e 2022, a média recuou entre nov/2022 e nov/2025.

Os inativos recebem menos: R$ 5.056 em nov/2025, 32% abaixo da média dos ativos do setor e abaixo da média dos inativos do Executivo (R$ 7.889). A diferença se explica pela composição do quadro: entre os inativos, predominam técnicos, auxiliares e servidores de apoio, que se aposentaram em carreiras de menor remuneração. Na Secretaria de Saúde, a média dos 7.983 inativos é de R$ 3.967.

Gráfico 1 – Remuneração Bruta Média dos servidores ativos e inativos – Saúde e Executivo – Minas Gerais – nov/2018 a ago/2026

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA.

Nota: O Portal da Transparência só publica a folha completa dos inativos desde mai/2025. Em ago/2026, a remuneração inclui a verba indenizatória, que o Portal passou a divulgar em coluna própria em fev/2026.

O número de ativos caiu de 18.992 em nov/2018 para 17.620 em nov/2025 (−7,2%) e voltou a 18.171 em ago/2026. A Fhemig, com 12.166 ativos, concentra 69% do setor e perdeu pouco até 2025 (−4,2%). A maior perda foi na Secretaria de Saúde, que passou de 4.047 para 3.033 ativos (−25,1%) e chegou a 2.922 em ago/2026. Hemominas (1.537), Funed (806) e Escola de Saúde Pública (78) completam o setor.

Gráfico 2 – Servidores ativos da Saúde por órgão – Minas Gerais – nov/2018 a ago/2026

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Servidor = pessoa em cada situação (ativo ou inativo), contada uma vez.

As médias dos órgãos são próximas: em nov/2025, iam de R$ 7.032 na Hemominas a R$ 7.936 na Funed, com exceção da Escola de Saúde Pública (R$ 11.350), que tem poucos servidores, quase todos de nível superior. A Fhemig teve ganho real de +8,9% entre 2018 e 2025, e a Secretaria de Saúde, de +10,0%. A Hemominas foi o único órgão em que a média caiu (−10,5%).

Gráfico 3 – Remuneração Bruta Média dos servidores ativos por órgão – Saúde – Minas Gerais – nov/2018 e nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA. Linhas pontilhadas: médias dos ativos da Saúde e do Executivo em nov/2025. Órgãos sem ativos em uma das datas aparecem apenas com o ponto disponível ou não aparecem.

O peso dos inativos

O setor tem 12.290 inativos, 41% dos seus servidores, que ficam com 32% da folha (R$ 62,1 milhões em nov/2025). O peso dos inativos é desigual entre os órgãos. Na Secretaria de Saúde, há 7.983 inativos para 3.033 ativos, e a folha dos inativos (R$ 31,7 milhões) já supera a dos ativos (R$ 23,1 milhões). Na Fhemig, os 3.784 inativos ficam com 22% da folha do órgão. Hemominas e Funed, com quadros mais jovens, têm poucos inativos.

Gráfico 4 – Servidores e folha mensal de ativos e inativos por órgão – Saúde – Minas Gerais – nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA.

Nota: Folha = soma da Remuneração Bruta Total 1, em R$ milhões. Entre parênteses, a participação dos inativos no órgão.

Faixas de remuneração em salários mínimos

Em salários mínimos (SM de R$ 1.518 em nov/2025), 46% dos ativos do setor recebem entre 3 e 5 SM, 25% entre 5 e 10 SM e 18% entre 2 e 3 SM. Até 2 SM estão 4,1% dos ativos do setor, contra 27% no conjunto do Executivo e 70% entre os trabalhadores ocupados de Minas Gerais, segundo a PNAD Contínua do IBGE. Na outra ponta, 32% dos ativos do setor passam de 5 SM, contra 28% no Executivo e 8% entre os trabalhadores do Estado.

Gráfico 5 – Distribuição por faixa de salário mínimo: servidores ativos da Saúde e do Executivo e trabalhadores ocupados de Minas Gerais e do Brasil – 2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Servidores: Remuneração Bruta Total 1 nominal de nov/2025 e salário mínimo de R$ 1.518. Trabalhadores: rendimento habitual de todos os trabalhos (IBGE, PNAD Contínua, SIDRA 7536); as proporções foram estimadas por interpolação entre os percentis publicados.

Por órgão, a Fhemig tem 50% dos ativos entre 3 e 5 SM, e a Secretaria de Saúde, 38% entre 5 e 10 SM. Na Hemominas, 18% recebem até 2 SM. Por carreira (botão Por carreira), 35% dos médicos recebem mais de 10 SM, enquanto a enfermagem se concentra entre 3 e 5 SM (70%).

Gráfico 6 – Distribuição dos servidores ativos por faixa de salário mínimo, por órgão e por carreira – Saúde – Minas Gerais – nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Remuneração Bruta Total 1 nominal de nov/2025; salário mínimo de R$ 1.518. Carreiras com 30 servidores ou mais.

Parte 2 – Principais carreiras

A maior carreira do setor é a enfermagem, que reúne enfermeiros, técnicos e auxiliares: 6.208 ativos em nov/2025, com média de R$ 6.212. Foi também a carreira com maior ganho real entre 2018 e 2025: +26,6%. Os técnicos de saúde (2.804 ativos) tiveram alta de +13,8%, e os analistas e especialistas de saúde de nível superior (2.968), de +5,5%.

Os médicos têm a maior média entre as carreiras de saúde, R$ 13.100 em nov/2025, praticamente a mesma de 2018 em termos reais (−2,2%). O que mudou foi o número: os médicos ativos passaram de 3.233 em nov/2018 para 2.752 em nov/2022 e 2.419 em nov/2025, 25% a menos. Em ago/2026, eram 2.402. Ao mesmo tempo, o quadro de enfermagem cresceu (+2,7%). A queda se concentra em dois grupos. Na Fhemig, os médicos com contrato temporário passaram de 703 em nov/2022 para 144 em nov/2025, enquanto os demais médicos da fundação passaram de 1.206 para 1.508, com a posse de aprovados no concurso de 2023, que ofereceu 557 vagas para médicos. Na Secretaria de Saúde, os médicos passaram de 565 em 2018 para 201 em 2025. Parte das escalas passou a ser coberta fora da folha. Desde 2023, a Fhemig credencia médicos, como pessoas físicas ou por meio de empresas, para plantões pagos por escala; o edital em vigor (Chamamento Público nº 2/2025) já está no nono ciclo. E, desde 2024, o Hospital Regional Antônio Dias, em Patos de Minas, é gerido por uma organização social, a Faepu, modelo que a Fhemig prepara também para o Hospital Regional João Penido, em Juiz de Fora (Edital nº 1/2025). Credenciados e profissionais contratados por organizações sociais não aparecem na folha do Estado: no Hospital Antônio Dias, os registros de médicos na folha caíram de 153 em nov/2022 para 83 em nov/2025.

As carreiras de gestão governamental, que incluem os especialistas em políticas públicas e gestão governamental (EPPGG), passaram de 110 para 257 servidores no setor, com média de R$ 14.298. Na base, os auxiliares e servidores de apoio diminuíram de 1.332 para 780 (−41,4%).

Gráfico 7 – Remuneração Bruta Média e número de servidores ativos por carreira – Saúde – Minas Gerais – nov/2018 e nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA.

Nota: Carreiras com 30 servidores ou mais em nov/2025, agrupadas pelo cargo efetivo informado na folha. Funções de direção identificáveis na folha prevalecem sobre o cargo efetivo.

Os cargos com mais servidores mostram o peso da Fhemig e dos contratos. O cargo de Profissional de Enfermagem tem 5.423 ativos, com média de R$ 6.318, e o de Técnico Operacional da Saúde, 2.223. O cargo de Médico tem 1.527 ativos e a maior média da lista, R$ 15.917. Entre os contratados, há 785 profissionais de enfermagem, com média de R$ 5.482, 13% abaixo da dos efetivos, e 431 médicos residentes, cuja remuneração (R$ 4.121) corresponde à bolsa de residência. No total, o setor tinha 2.239 contratados temporários em nov/2025.

Gráfico 8 – Remuneração Bruta Média dos 10 cargos com mais servidores ativos – Saúde – Minas Gerais – nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA.

Nota: Cargo informado na folha, inclusive contratos temporários, que o Portal identifica como cargos próprios. Gratificações por participação em órgãos colegiados e por encargos de curso ou concurso não foram consideradas.

Parte 3 – Desigualdade, mulheres e teto

O Índice de Gini da remuneração dos ativos, que vai de 0 (todos recebem o mesmo) a 1 (uma pessoa recebe tudo), caiu de 0,347 em nov/2018 para 0,294 em nov/2025, o quarto menor entre os 11 setores do Executivo. No conjunto do Executivo, o índice é de 0,411, e entre os trabalhadores de Minas Gerais, 0,463, segundo o IBGE. A queda veio sobretudo da Fhemig (de 0,358 para 0,287), onde a enfermagem ganhou mais que os médicos. A Hemominas foi o único órgão em que a desigualdade aumentou.

Gráfico 9 – Desigualdade da remuneração dos servidores ativos (Índice de Gini) por órgão – Saúde – Minas Gerais – nov/2018 e nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Gini da Remuneração Bruta Total 1 dos ativos. Órgãos com pelo menos 100 ativos em nov/2018 e nov/2025. Trabalhadores de MG: Gini do rendimento de todos os trabalhos das pessoas ocupadas (IBGE, PNAD Contínua, SIDRA 7453).

A curva de Lorenz mostra a mesma coisa de outro jeito. No setor, os 10% mais bem pagos recebem 25% da remuneração dos ativos, e a metade com os menores valores fica com 31%. No Executivo, essas parcelas são de 30% e 22%.

Gráfico 10 – Curva de Lorenz da remuneração dos servidores ativos – Saúde e Executivo – Minas Gerais – nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

As mulheres são 74% dos ativos do setor (eram 71% em 2018), contra 63% no Executivo. Por carreira, a participação feminina vai de 85% em Enfermagem (enfermeiros, técnicos e auxiliares) a 53% em Médicos. Mesmo entre os médicos, a carreira com menor participação feminina, elas já são maioria. Como a folha não informa o sexo, ele foi estimado pelo primeiro nome.

Gráfico 11 – Participação das mulheres entre os servidores ativos por carreira – Saúde – Minas Gerais – nov/2018 e nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Sexo estimado pelo primeiro nome (frequências do Censo 2010 do IBGE); exclui nomes ambíguos ou não encontrados.

No conjunto do setor, a Remuneração Bruta Média das mulheres (R$ 7.086) equivale a 84% da dos homens (R$ 8.470). A diferença vem sobretudo da composição: as mulheres são maioria nas carreiras de enfermagem e técnicas, que pagam menos. Dentro das carreiras, as médias são próximas, com uma exceção: entre os médicos, as mulheres recebem em média R$ 12.244, 88% da média dos homens (R$ 13.986). A folha não informa jornada nem especialidade, que podem explicar parte dessa distância.

Gráfico 12 – Remuneração Bruta Média de mulheres e homens por carreira – Saúde – Minas Gerais – nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA.

Nota: Carreiras com pelo menos 20 mulheres e 20 homens identificados.

O teto constitucional praticamente não alcança a Saúde. Em nov/2025, nenhum servidor do setor teve a remuneração reduzida pelo abate-teto, e em ago/2026 foram 3. Somando todos os vínculos e parcelas, inclusive as que a lei deixa fora do teto, como férias, indenizações e pagamentos eventuais, 28 servidores receberam mais que o teto em ago/2026.

Gráfico 13 – Servidores e o teto constitucional – Saúde – Minas Gerais – nov/2018 a ago/2026

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Ativos e inativos. Teto = subsídio do Governador vigente em cada mês (R$ 30.471,11 em nov/2018; R$ 35.462,22 em nov/2022; R$ 41.845,49 em 2025 e 2026), em valores nominais.

Parte 4 – A estrutura de cargos

Os 17.338 servidores ativos com cargo efetivo do setor se distribuem em 73 cargos efetivos de denominação diferente. A Hemominas tem 41 cargos para 1.448 servidores, e a Funed, 34 para 778. Na Fhemig, a estrutura é mais concentrada: 31 cargos para 12.147 servidores. Como o Portal não informa nível, grau ou classe, a quantidade de posições salariais é ainda maior.

Gráfico 14 – Cargos efetivos distintos e servidores por cargo, por órgão – Saúde – Minas Gerais – nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Servidores ativos com cargo efetivo informado. Cargos de contrato temporário contados separadamente.

Vários cargos existem com o mesmo nome em mais de um órgão, com remunerações diferentes. O Auxiliar de Apoio à Gestão e Atenção à Saúde recebe em média R$ 4.084 na Fhemig, R$ 4.239 na Secretaria de Saúde e R$ 5.586 na Hemominas. O Técnico Operacional da Saúde vai de R$ 4.887 na Fhemig a R$ 7.096 na Hemominas. Entre os analistas, o Analista e Pesquisador de Saúde e Tecnologia da Funed recebe R$ 12.230, contra R$ 8.654 do Analista de Gestão e Assistência à Saúde da Fhemig. Parte das diferenças vem de gratificações e adicionais próprios de cada órgão e do tempo de serviço, que o Portal não detalha.

Gráfico 15 – Remuneração Bruta Média de cargos efetivos de mesma família, por órgão – Saúde – Minas Gerais – nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA.

Nota: Cargos com 5 servidores ativos ou mais, agrupados pela primeira palavra da denominação (Auxiliar, Assistente, Técnico, Agente, Analista, Especialista, Gestor). O tamanho do círculo indica o número de servidores.

Em síntese: quanto custa a Saúde de Minas Gerais

A Saúde custa cerca de R$ 193,2 milhões por mês em remuneração bruta, pagos a 29.910 servidores, ativos e inativos. Os principais destaques são:

  • Um em cada vinte servidores do Executivo. A Saúde tem 5,3% dos servidores e 4,9% da folha do Executivo, cerca de R$ 9,03 por habitante, todo mês.
  • Remuneração na média do Executivo. A média dos ativos (R$ 7.436) está próxima da do Executivo e cresceu 7,5% acima da inflação entre nov/2018 e nov/2025, com recuo depois de 2022.
  • Um quarto dos médicos a menos. Os médicos ativos passaram de 3.233 para 2.419 entre 2018 e 2025 (−25,2%), com média real estável. A queda veio sobretudo do fim de contratos temporários na Fhemig, e parte das escalas passou a médicos credenciados e a uma organização social, fora da folha. A enfermagem cresceu e teve o maior ganho real (+26,6%).
  • A Secretaria de Saúde encolheu. A SES perdeu 25% dos ativos desde 2018 e já gasta mais com inativos (R$ 31,7 milhões) do que com ativos (R$ 23,1 milhões).
  • Inativos recebem menos que os ativos. A média dos inativos (R$ 5.056) é 32% menor que a dos ativos, porque se aposentaram, em geral, em carreiras técnicas e de apoio. Eles ficam com 32% da folha.
  • Pouca desigualdade. O Gini dos ativos caiu para 0,294, e 46% dos ativos recebem entre 3 e 5 salários mínimos.
  • Um setor de mulheres. Elas são 74% dos ativos e já são maioria entre os médicos, mas as médicas recebem, em média, 88% do que recebem os médicos.
  • Contratos na linha de frente. O setor tinha 2.239 contratados temporários em nov/2025, a maioria na enfermagem e na residência médica.

Esses números mostram o custo da folha da Saúde. A despesa total do setor, que inclui custeio e investimentos, e sua relação com a receita do Estado serão tratadas nos próximos posts do Estadosfera em Números.

Como calculamos

Fontes, conceitos e escolhas deste diagnóstico estão explicados passo a passo em Como calculamos: a metodologia do Painel Remuneração em MG. Neste post, o setor Saúde reúne a Secretaria de Estado de Saúde, a Fhemig, a Hemominas, a Funed e a Escola de Saúde Pública. O Instituto de Previdência dos Servidores do Estado (Ipsemg), que também mantém serviços de saúde, está no setor Planejamento, como no post geral. As carreiras foram agrupadas pelo cargo efetivo informado na folha.

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Para citar: SILBERSCHNEIDER, Wieland. Saúde em Minas: o Estado perdeu um quarto dos médicos desde 2018. Estadosfera em Números, Belo Horizonte, out. 2026. Disponível em: https://www.estadosfera.com.br/estadosfera-em-numeros/minas-gerais/mg-remuneracao/saude-em-minas-estado-perdeu-um-quarto-dos-medicos-desde-2018/. Acesso em: [data do acesso].

Sobre Wieland 70 Artigos
Wieland Silberschneider é Doutor em Economia e Mestre em Sociologia pela Universidade de Minas Gerais.