Quanto ganham policiais militares e civis, policiais penais e bombeiros em Minas Gerais, quanto isso custa ao Estado e como a remuneração mudou desde 2018.
A Segurança Pública é o setor que mais pesa na folha de pagamento do Executivo mineiro. Reúne a Polícia Militar, a Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros Militar, a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), onde estão a Polícia Penal e o sistema socioeducativo, e o Instituto de Previdência dos Servidores Militares (IPSM). Quanto recebem esses servidores? Que carreiras ganham mais? E por que os inativos pesam tanto nessa conta?
Este post faz parte do diagnóstico Quanto custa o funcionalismo em Minas Gerais? e segue a mesma estrutura e a mesma metodologia. Os dados vêm da folha de pagamento publicada pelo Governo de Minas no Portal da Transparência, em quatro meses de referência para os ativos (nov/2018, nov/2022, nov/2025 e ago/2026) e três para os inativos (ago/2025, nov/2025 e ago/2026), já que o Portal só publica a folha completa dos inativos desde mai/2025. Todos os valores estão a preços de dez/2025, corrigidos pelo IPCA, e se referem apenas à remuneração paga ao servidor, sem as obrigações patronais.
Remuneração Segurança Pública-MG
Segurança Pública: Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e Corpo de Bombeiros
Remuneração Bruta Média dos ativos por órgão – Segurança Pública – Minas Gerais – nov/2025
Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.
Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA.
O que você vai encontrar
- Parte 1 – Quem são e quanto ganham: quantos são os servidores da Segurança Pública, quanto custa a folha, como a remuneração evoluiu desde 2018 em cada órgão, o peso dos inativos e a distribuição por faixas de salário mínimo, em comparação com o Executivo e com os trabalhadores de Minas Gerais e do Brasil.
- Parte 2 – Principais carreiras: praças e oficiais da Polícia Militar e dos Bombeiros, delegados, investigadores, escrivães e peritos da Polícia Civil, policiais penais e agentes socioeducativos, e a escada de postos e graduações dos militares.
- Parte 3 – Desigualdade, mulheres e teto: por que este é o setor menos desigual do Executivo, quanto recebem mulheres e homens em cada carreira e quem recebe no limite do teto constitucional.
- Parte 4 – A estrutura de cargos: quantos cargos efetivos existem em cada órgão e como cargos de funções parecidas pagam valores diferentes conforme o órgão.
- Painel interativo (Power BI) para consultar os números por órgão e cargo.
Parte 1 – Quem são e quanto ganham
Em novembro de 2025, a folha da Segurança Pública pagou R$ 1,72 bilhão em remuneração bruta a 129.905 servidores: 82.494 ativos e 47.411 inativos. O setor reúne 23% dos servidores do Executivo, mas 43% da folha: cerca de R$ 80 por habitante de Minas Gerais, todo mês. A Remuneração Bruta Média do setor foi de R$ 13.223.
Descontada a inflação, a Remuneração Bruta Média dos ativos passou de R$ 9.750 em nov/2018 para R$ 10.222 em nov/2022 (+4,8%) e R$ 10.994 em nov/2025 (+7,6% em três anos). Em ago/2026, chegou a R$ 11.340, valor que já inclui a verba indenizatória, divulgada em coluna própria desde fev/2026. Entre nov/2018 e nov/2025, o ganho real foi de +12,8%, acima do conjunto do Executivo (+7,4%). Em nov/2025, um servidor ativo da Segurança Pública recebia, em média, 1,7 vez a média do Executivo (R$ 6.472).
Os inativos recebem bem mais: R$ 17.103 em nov/2025, 56% acima dos ativos do setor e 2,2 vezes a média dos inativos do Executivo (R$ 7.889). As razões estão nas regras de inatividade dos militares, explicadas adiante, e na Parte 2: os inativos se aposentaram, em geral, no topo das carreiras.
Gráfico 1 – Remuneração Bruta Média dos servidores ativos e inativos – Segurança Pública e Executivo – Minas Gerais – nov/2018 a ago/2026
Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.
Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA.
Nota: O Portal da Transparência só publica a folha completa dos inativos desde mai/2025. Em ago/2026, a remuneração inclui a verba indenizatória, que o Portal passou a divulgar em coluna própria em fev/2026.
O número de ativos caiu de 85.425 em nov/2018 para 77.718 em nov/2022 (−9,0%) e se recuperou parcialmente: 82.494 em nov/2025 e 81.887 em ago/2026, ainda 3,4% abaixo de 2018. A Polícia Militar, com 44.832 ativos, responde por mais da metade do setor. Em seguida vêm a Sejusp (20.251, quase todos policiais penais), a Polícia Civil (10.863) e o Corpo de Bombeiros (6.384). Entre 2018 e 2025, a Sejusp perdeu 9,5% dos ativos e a Polícia Civil, 4,0%. Só o Corpo de Bombeiros cresceu (+6,5%).
Gráfico 2 – Servidores ativos da Segurança Pública por órgão – Minas Gerais – nov/2018 a ago/2026
Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.
Nota: Servidor = pessoa em cada situação (ativo ou inativo), contada uma vez. A Sejusp inclui a Polícia Penal e o sistema socioeducativo.
Entre os órgãos, a Polícia Civil tem a maior Remuneração Bruta Média dos ativos (R$ 14.226 em nov/2025), seguida do Corpo de Bombeiros (R$ 12.600) e da Polícia Militar (R$ 11.106). A Sejusp tem a menor média entre as forças de segurança (R$ 8.553), mas foi a que mais cresceu: +33,1% acima da inflação desde 2018, puxada pela valorização da Polícia Penal. Na Polícia Militar, o ganho real foi de +5,8%, o menor do setor.
Gráfico 3 – Remuneração Bruta Média dos servidores ativos por órgão – Segurança Pública – Minas Gerais – nov/2018 e nov/2025
Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.
Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA. Linhas pontilhadas: médias dos ativos da Segurança Pública e do Executivo em nov/2025.
O peso dos inativos
A Segurança Pública tem 47.411 inativos, 36% dos seus servidores. Como recebem mais do que os ativos, eles ficam com 47% da folha do setor (R$ 810,8 milhões em nov/2025). Na Polícia Militar, a folha dos 36.136 inativos (R$ 610,7 milhões) já é maior que a dos 44.832 ativos (R$ 497,9 milhões). Na Polícia Civil, as duas folhas são parecidas (R$ 141,2 e R$ 154,5 milhões). Na Sejusp, os inativos são poucos (1.204), porque as carreiras de agente penitenciário e socioeducativo são relativamente recentes, criadas a partir dos anos 2000.
Os militares (Polícia Militar e Corpo de Bombeiros) têm regras próprias de inatividade, definidas no Estatuto dos Militares de Minas Gerais (Lei estadual nº 5.301/1969). Eles passam para a reserva remunerada com 30 anos de serviço (art. 136) e levam para a inatividade o soldo e as vantagens incorporáveis do posto ou graduação, como o adicional de desempenho e as gratificações de tempo integral, de função militar e de tropa (arts. 59-D, 62, 66, 69 e 95). Desde a Lei Complementar nº 109/2009, os proventos correspondem aos vencimentos dos militares da ativa do mesmo posto ou graduação (art. 94-A). Na prática, há paridade: todo reajuste concedido aos ativos chega também aos inativos. A despesa com esses inativos é paga na própria folha do Executivo.
A lei permite ainda que o militar da reserva volte a trabalhar. Pelo art. 136, §§ 2º e 3º, do Estatuto (redação da Lei Complementar nº 50/1998), ele pode ser designado para o serviço ativo, em caráter transitório e voluntário, e passa a receber, além dos proventos, uma gratificação mensal de um terço do valor deles. O Portal registra esses militares numa situação própria, “designado ao serviço ativo”, e os soma aos ativos. Eram 1.600 em nov/2018 e 2.821 em nov/2025 (+76%), quase todos sargentos, subtenentes, tenentes e capitães. A Remuneração Bruta Média deles, R$ 24.129, é 2,3 vezes a dos demais ativos do setor (R$ 10.529), e a folha dos designados chegou a R$ 68,1 milhões por mês. Neste post, eles são contados como ativos, como faz o Portal, mas formam uma carreira à parte nas Partes 2 e 3.
Gráfico 4 – Servidores e folha mensal de ativos e inativos por órgão – Segurança Pública – Minas Gerais – nov/2025
Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.
Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA.
Nota: Folha = soma da Remuneração Bruta Total 1, em R$ milhões. Entre parênteses, a participação dos inativos no órgão.
Faixas de remuneração em salários mínimos
Em salários mínimos (SM de R$ 1.518 em nov/2025), a Segurança Pública está concentrada numa faixa: 57% dos ativos recebem entre 5 e 10 SM, 23% entre 3 e 5 SM e 15% mais de 10 SM. Só 0,7% recebem até 2 SM. No conjunto do Executivo, esse grupo de até 2 SM é de 27%, e entre os trabalhadores ocupados de Minas Gerais, segundo a PNAD Contínua do IBGE, chega a 70%. Na outra ponta, 72% dos servidores da Segurança Pública passam de 5 SM, contra 8% dos trabalhadores do Estado.
Gráfico 5 – Distribuição por faixa de salário mínimo: servidores ativos da Segurança Pública e do Executivo e trabalhadores ocupados de Minas Gerais e do Brasil – 2025
Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.
Nota: Servidores: Remuneração Bruta Total 1 nominal de nov/2025 e salário mínimo de R$ 1.518. Trabalhadores: rendimento habitual de todos os trabalhos (IBGE, PNAD Contínua, SIDRA 7536); as proporções foram estimadas por interpolação entre os percentis publicados.
Por órgão, a Polícia Civil tem 35% dos ativos acima de 10 SM, e o Corpo de Bombeiros, 24%. Na Sejusp, 96% estão entre 3 e 10 SM e apenas 1% passa de 10 SM. Por carreira (botão Por carreira), todos os delegados e quase todos os peritos e médicos legistas recebem mais de 10 SM, assim como 89% dos oficiais da PM. Praças da PM (68%) e policiais penais (72%) estão, na maioria, entre 5 e 10 SM. As faixas mais baixas ficam com as carreiras administrativas das polícias, em que 56% recebem entre 1 e 3 SM, e com os professores das escolas militares.
Gráfico 6 – Distribuição dos servidores ativos por faixa de salário mínimo, por órgão e por carreira – Segurança Pública – Minas Gerais – nov/2025
Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.
Nota: Remuneração Bruta Total 1 nominal de nov/2025; salário mínimo de R$ 1.518. Carreiras com 100 servidores ou mais.
Parte 2 – Principais carreiras
A maior carreira do setor é a dos 33.834 praças da Polícia Militar (soldados, cabos, sargentos e subtenentes, sem contar os militares da reserva designados), com média de R$ 9.893 em nov/2025, +6,2% acima de 2018 em termos reais. Em seguida vêm os 16.225 policiais penais (até 2019, agentes de segurança penitenciários), cuja média passou de R$ 6.629 para R$ 8.664 (+30,7%). Os agentes de segurança socioeducativos tiveram alta parecida (+35,0%), e os investigadores da Polícia Civil, de +21,5%.
No topo, delegados (R$ 25.151), peritos e médicos legistas (R$ 25.066) e oficiais da Polícia Militar (R$ 22.300) perderam para a inflação entre 2018 e 2025 (−2,2%, −4,6% e −3,1%). Parte dessas carreiras já está perto do teto constitucional, o que limita o crescimento (Parte 3). O resultado foi uma aproximação entre a base e o topo: em 2018, um delegado recebia, em média, 3,9 vezes o que recebia um policial penal; em 2025, 2,9 vezes.
O botão Servidores mostra que o quadro encolheu justamente em carreiras da linha de frente: os investigadores passaram de 6.529 para 5.856 (−10,3%), os agentes socioeducativos de 2.065 para 1.360 (−34,1%) e os oficiais da PM de 3.872 para 3.522 (−9,0%). Cresceram os escrivães (+32,4%).
Gráfico 7 – Remuneração Bruta Média e número de servidores ativos por carreira – Segurança Pública – Minas Gerais – nov/2018 e nov/2025
Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.
Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA.
Nota: Carreiras com 100 servidores ou mais em nov/2025. Direção = funções de direção identificáveis na folha (delegados regionais e outros), que prevalecem sobre o cargo efetivo.
Nas corporações militares, a remuneração acompanha a hierarquia de postos e graduações. Em nov/2025, a média dos ativos, sem os designados, ia de R$ 6.197 para um soldado de 2ª classe a R$ 42.247 para um coronel, 6,8 vezes mais. A maior parte da tropa está na base: 33.647 soldados, cabos e terceiros-sargentos, com médias entre R$ 6 mil e R$ 11 mil. Os 56 coronéis da ativa recebem em média um valor no nível do teto do Executivo.
Entre os inativos, a pirâmide se inverte (botão Servidores). Há 1.643 coronéis inativos para 56 na ativa, 3.852 segundos-tenentes inativos para 1.038 ativos e 2.564 subtenentes inativos para 187 ativos. Na maioria dos postos e graduações, a média dos inativos supera a dos ativos do mesmo posto (entre os segundos-tenentes, R$ 20.893 contra R$ 16.020), porque eles levam para a inatividade as vantagens acumuladas em 30 anos ou mais de serviço. A concentração nos postos altos tem pelo menos duas explicações. A passagem para a reserva ocorre no fim da carreira, depois das promoções. E a lei prevê, em alguns casos, promoção ao posto ou graduação imediata no momento da transferência para a reserva, como para as policiais e bombeiras militares com 25 anos de serviço (art. 136, §§ 13 e 14, incluídos pela LC nº 109/2009). Se regras semelhantes valeram para os demais militares no passado, e quanto explicam o resultado, é um ponto a confirmar.
Os militares da reserva designados para o serviço ativo (círculos verde-escuros no gráfico) recebem, em cada posto, cerca de 40% a mais que os inativos do mesmo posto, efeito da gratificação de um terço dos proventos. Entre os primeiros-sargentos, por exemplo, os 1.366 designados recebem em média R$ 23.349, contra R$ 16.770 dos inativos e R$ 15.816 dos 940 primeiros-sargentos da ativa. Há mais designados do que ativos nessa graduação.
Gráfico 8 – Remuneração Bruta Média e número de servidores por posto e graduação: ativos, designados e inativos – Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar – Minas Gerais – nov/2025
Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.
Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA.
Nota: Postos (oficiais, em verde-escuro) e graduações (praças) conforme o cargo informado na folha. Não inclui cadetes, alunos e militares sem graduação. Ativos sem os militares da reserva designados para o serviço ativo, mostrados à parte. Linha pontilhada: teto do Executivo (R$ 41.845,49).
Parte 3 – Desigualdade, mulheres e teto
A Segurança Pública é o setor menos desigual do Executivo. O Índice de Gini dos ativos, que vai de 0 (todos recebem o mesmo) a 1 (uma pessoa recebe tudo), caiu de 0,300 em nov/2018 para 0,260 em nov/2025, bem abaixo do Executivo (0,411) e dos rendimentos do trabalho em Minas Gerais (0,463, segundo o IBGE). A queda veio da Polícia Civil (de 0,354 para 0,293) e da Polícia Militar (de 0,291 para 0,264), onde a base ganhou mais que o topo. A Sejusp é o órgão mais igual (0,130), porque quase todos os seus servidores estão numa única carreira, a de policial penal.
Gráfico 9 – Desigualdade da remuneração dos servidores ativos (Índice de Gini) por órgão – Segurança Pública – Minas Gerais – nov/2018 e nov/2025
Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.
Nota: Gini da Remuneração Bruta Total 1 dos ativos. Trabalhadores de MG: Gini do rendimento de todos os trabalhos das pessoas ocupadas (IBGE, PNAD Contínua, SIDRA 7453). O IPSM, com 164 ativos, não aparece.
A curva de Lorenz mostra a mesma coisa de outro jeito. Na Segurança Pública, os 10% mais bem pagos recebem 23% da remuneração dos ativos, e a metade com os menores valores fica com 33%. No Executivo, essas parcelas são de 30% e 22%.
Gráfico 10 – Curva de Lorenz da remuneração dos servidores ativos – Segurança Pública e Executivo – Minas Gerais – nov/2025
Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.
As mulheres são 21% dos ativos da Segurança Pública (eram 20% em 2018). A presença feminina é maior na Polícia Civil (33%) e menor no Corpo de Bombeiros (12%) e na Polícia Militar (19%). Por carreira, elas são maioria nas funções administrativas e no ensino das escolas militares e quase metade dos escrivães (49%), mas só 12% dos praças da PM e 16% dos policiais penais. Nas carreiras policiais militares, a participação feminina cresceu desde 2018. Como a folha não informa o sexo, ele foi estimado pelo primeiro nome.
Gráfico 11 – Participação das mulheres entre os servidores ativos por carreira – Segurança Pública – Minas Gerais – nov/2018 e nov/2025
Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.
Nota: Sexo estimado pelo primeiro nome (frequências do Censo 2010 do IBGE); exclui nomes ambíguos ou não encontrados.
No conjunto do setor, a Remuneração Bruta Média das mulheres (R$ 9.211) equivale a 80% da dos homens (R$ 11.463), sobretudo porque elas estão mais presentes nas carreiras administrativas, que pagam menos. Dentro de cada carreira, a diferença é pequena. Entre delegados, peritos, escrivães e policiais penais, as médias são praticamente iguais. As maiores distâncias estão entre os investigadores (mulheres com 80% da média dos homens), os oficiais (88%) e os praças da PM (92%), o que reflete a entrada mais recente das mulheres e, portanto, sua concentração nas classes, postos e graduações iniciais.
Gráfico 12 – Remuneração Bruta Média de mulheres e homens por carreira – Segurança Pública – Minas Gerais – nov/2025
Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.
Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA.
Nota: Carreiras com pelo menos 20 mulheres e 20 homens identificados.
O teto do Executivo, igual ao subsídio do Governador (R$ 41.845,49 em 2025 e 2026), alcança o topo das carreiras de segurança. Em nov/2025, 407 servidores do setor tiveram a remuneração reduzida pelo abate-teto, sobretudo oficiais da PM (131 ativos e 60 inativos) e delegados (50 ativos e 106 inativos). O corte somou R$ 1,32 milhão no mês. Em ago/2026, o número de servidores com abate-teto mais que dobrou, para 856. O aumento veio sobretudo dos inativos: os delegados inativos com abate-teto passaram de 106 para 268, e os oficiais inativos da PM, de 60 para 253. A remuneração nominal desses inativos subiu cerca de 5% no período, enquanto o teto ficou no mesmo valor. A explicação mais provável é a recomposição salarial de 5,4% concedida ao Executivo em 2026, com efeitos desde janeiro e estendida aos inativos, que levou mais servidores a ultrapassar um teto que não mudou. Não se pode descartar, porém, alguma decisão administrativa ou judicial que tenha alterado a aplicação do teto. O ponto está a confirmar. Somando todos os vínculos e parcelas, inclusive as que a lei deixa fora do teto, como férias, indenizações e pagamentos eventuais, 600 servidores da Segurança Pública receberam mais que o teto em ago/2026, contra 57 em nov/2018.
Gráfico 13 – Servidores e o teto constitucional – Segurança Pública – Minas Gerais – nov/2018 a ago/2026
Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.
Nota: Ativos e inativos. Teto = subsídio do Governador vigente em cada mês (R$ 30.471,11 em nov/2018; R$ 35.462,22 em nov/2022; R$ 41.845,49 em 2025 e 2026), em valores nominais.
Parte 4 – A estrutura de cargos
Os 81.583 servidores ativos com cargo efetivo da Segurança Pública se distribuem em 62 cargos efetivos de denominação diferente. Nas corporações militares, cada posto e graduação conta como um cargo, e a estrutura é simples: a Polícia Militar tem 23 cargos para 44.592 servidores. A Sejusp tem o maior número de cargos (25), embora 80% dos seus ativos sejam policiais penais. A Polícia Civil tem 18 cargos, incluindo classes distintas de investigadores e escrivães. Como o Portal não informa nível, grau ou classe, a quantidade de posições salariais é ainda maior.
Gráfico 14 – Cargos efetivos distintos e servidores por cargo, por órgão – Segurança Pública – Minas Gerais – nov/2025
Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.
Nota: Servidores ativos com cargo efetivo informado. Cargos de contrato temporário contados separadamente.
Fora das carreiras policiais, cada órgão tem seu próprio quadro administrativo, com remunerações diferentes para funções parecidas. O Analista Executivo de Defesa Social, da Sejusp, recebe em média R$ 10.492, contra R$ 7.514 do Analista da Polícia Civil e R$ 5.904 do Analista de Gestão da Polícia Militar. Entre os auxiliares, a média vai de R$ 3.221 na PM a R$ 5.606 na Sejusp. O contraste mais forte está entre os médicos: o médico legista da Polícia Civil recebe em média R$ 24.995, o médico da área de defesa social, R$ 17.372, e o médico da Polícia Militar, R$ 4.120. A média tão baixa do médico da PM é difícil de explicar com os dados do Portal, que não informam jornada, regime de trabalho nem a composição da remuneração; o fato fica registrado para apuração. Atribuições e exigências podem diferir entre os órgãos, mas os números mostram que, também na Segurança Pública, a estrutura remuneratória foi construída órgão a órgão.
Gráfico 15 – Remuneração Bruta Média dos cargos efetivos administrativos e de médicos, por órgão – Segurança Pública – Minas Gerais – nov/2025
Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.
Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA.
Nota: Cargos com 5 servidores ativos ou mais. O tamanho do círculo indica o número de servidores.
Em síntese: quanto custa a Segurança Pública de Minas Gerais
A Segurança Pública custa cerca de R$ 1,72 bilhão por mês em remuneração bruta, pagos a 130 mil servidores, ativos e inativos. Os principais destaques são:
- O setor mais caro da folha. Com 23% dos servidores, a Segurança Pública responde por 43% da folha do Executivo, cerca de R$ 80 por habitante, todo mês.
- Remuneração acima da média e em alta. A média dos ativos (R$ 10.994) é 1,7 vez a do Executivo e cresceu +12,8% acima da inflação entre nov/2018 e nov/2025. A Sejusp teve o maior ganho (+33,1%).
- Os inativos já são quase metade da conta. Os inativos recebem em média R$ 17.103 e ficam com 47% da folha. Na Polícia Militar, a folha dos inativos supera a dos ativos.
- Militares da reserva de volta à ativa. 2.821 militares da reserva estavam designados para o serviço ativo em nov/2025 (+76% desde 2018). Com os proventos e a gratificação de um terço, recebem em média R$ 24.129, mais que o dobro dos demais ativos.
- Menos servidores na ativa. O setor tem 82.494 ativos, 3,4% a menos que em 2018. Investigadores (−10,3%) e agentes socioeducativos (−34,1%) foram as carreiras que mais encolheram.
- Ganhos na base, perdas no topo. Policiais penais (+30,7%), investigadores (+21,5%) e praças tiveram os maiores aumentos reais; delegados, peritos e oficiais da PM perderam para a inflação.
- O setor menos desigual do Executivo. O Gini dos ativos caiu para 0,260, e 57% dos ativos recebem entre 5 e 10 salários mínimos. Entre os trabalhadores de Minas Gerais, 70% recebem até 2 SM.
- Mulheres ainda são minoria. Elas são 21% dos ativos e recebem, em média, 80% do que recebem os homens, diferença explicada sobretudo pelas carreiras e postos que ocupam.
- Mais gente no teto. Os servidores com abate-teto passaram de 407 em nov/2025 para 856 em ago/2026, sobretudo delegados e oficiais da PM inativos, provavelmente por efeito da recomposição de 5,4% de 2026 sobre um teto que não mudou (a confirmar).
Esses números mostram o custo da folha da Segurança Pública. A despesa total do setor, que inclui custeio e investimentos, e sua relação com a receita do Estado serão tratadas nos próximos posts do Estadosfera em Números.
Como calculamos
Fontes, conceitos e escolhas deste diagnóstico estão explicados passo a passo em Como calculamos: a metodologia do Painel Remuneração em MG. Neste post, a Segurança Pública reúne Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar, Sejusp (inclusive Polícia Penal, sistema socioeducativo e dois inativos registrados no Portal com órgão Defensoria Pública, de origem Sejusp) e IPSM. As carreiras foram agrupadas pelo cargo efetivo informado na folha. Os militares da reserva designados para o serviço ativo, que o Portal registra em situação própria, são contados como ativos, como faz o Portal, mas formam uma carreira à parte.
Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.
Para citar: SILBERSCHNEIDER, Wieland. Segurança Pública em Minas: quase metade da folha já vai para os inativos. Estadosfera em Números, Belo Horizonte, out. 2026. Disponível em: https://www.estadosfera.com.br/estadosfera-em-numeros/minas-gerais/mg-remuneracao/seguranca-publica-em-minas-quase-metade-da-folha-vai-para-inativos/. Acesso em: [data do acesso].
