Fazenda em Minas: inativos ficam com 57% da folha e um em cada quatro servidores tem a remuneração cortada pelo teto

Escadaria com corrimãos de ferro trabalhado no interior do prédio histórico da Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais.
Foto: reprodução.

Quanto ganham auditores fiscais, gestores e técnicos da Secretaria da Fazenda e dos órgãos vinculados em Minas Gerais, quanto isso custa ao Estado e como a remuneração mudou desde 2018.

O setor Fazenda reúne a Secretaria de Estado de Fazenda (SEF), responsável pela arrecadação e pela gestão financeira do Estado, a Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Jucemg) e a Loteria Mineira. É o setor com a maior remuneração média do Executivo. Quanto recebem esses servidores? Quantos chegam ao teto constitucional? E por que os inativos já custam mais que os ativos?

Este post faz parte do diagnóstico Quanto custa o funcionalismo em Minas Gerais? e segue a mesma estrutura e a mesma metodologia. Os dados vêm da folha de pagamento publicada pelo Governo de Minas no Portal da Transparência, em quatro meses de referência para os ativos (nov/2018, nov/2022, nov/2025 e ago/2026) e três para os inativos (ago/2025, nov/2025 e ago/2026), já que o Portal só publica a folha completa dos inativos desde mai/2025. Todos os valores estão a preços de dez/2025, corrigidos pelo IPCA, e se referem apenas à remuneração paga ao servidor, sem as obrigações patronais.

Remuneração Fazenda-MG

Fazenda: Secretaria da Fazenda, Jucemg e Loteria Mineira

7.322servidores do setor, ativos e inativos (nov/2025)
R$ 195,9 mifolha bruta mensal, 5,0% da folha do Executivo (nov/2025)
R$ 29.397remuneração bruta média dos ativos, 4,5 vezes a do Executivo (nov/2025)
R$ 25.054remuneração bruta média dos inativos (nov/2025)
+12,0%variação real da média dos ativos, nov/2018 a nov/2025
0,298desigualdade (Gini) da remuneração dos ativos, o quinto menor entre os 11 setores (nov/2025)

Remuneração Bruta Média dos ativos por órgão – Fazenda – Minas Gerais – nov/2025

Secretaria da FazendaR$ 31.000
Loteria MineiraR$ 7.975
JucemgR$ 7.287
FazendaR$ 29.397
ExecutivoR$ 6.472

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA.

O que você vai encontrar

  • Parte 1 – Quem são e quanto ganham: quantos são os servidores do setor, quanto custa a folha, como a remuneração evoluiu desde 2018 em cada órgão, o peso dos inativos e a distribuição por faixas de salário mínimo, em comparação com o Executivo e com os trabalhadores de Minas Gerais e do Brasil.
  • Parte 2 – Principais carreiras: auditores fiscais da Receita Estadual, gestores, analistas e técnicos fazendários, a direção e os cargos com mais servidores.
  • Parte 3 – Desigualdade, mulheres e teto: quão desigual é a remuneração no setor, quanto recebem mulheres e homens em cada carreira e quantos servidores recebem no limite do teto constitucional.
  • Parte 4 – A estrutura de cargos: quantos cargos efetivos existem em cada órgão e como cargos de funções parecidas pagam valores diferentes conforme o órgão.
  • Painel interativo (Power BI) para consultar os números por órgão e cargo.

Parte 1 – Quem são e quanto ganham

Em novembro de 2025, a folha da Fazenda pagou R$ 195,9 milhões em remuneração bruta a 7.322 servidores: 2.876 ativos e 4.446 inativos. O setor reúne 1,3% dos servidores do Executivo e 5,0% da folha, o equivalente a R$ 9,16 por habitante de Minas Gerais, todo mês. A Remuneração Bruta Média do setor foi de R$ 26.760.

Descontada a inflação, a Remuneração Bruta Média dos ativos passou de R$ 26.257 em nov/2018 para R$ 28.702 em nov/2022 (+9,3%) e R$ 29.397 em nov/2025 (+2,4% em três anos). Em ago/2026, chegou a R$ 29.608, valor que já inclui a verba indenizatória, divulgada em coluna própria desde fev/2026. Entre nov/2018 e nov/2025, a variação real foi de +12,0%, contra +7,4% no conjunto do Executivo. Em nov/2025, um servidor ativo da Fazenda recebia, em média, 4,5 vezes a média do Executivo (R$ 6.472). É a maior média entre os 11 setores do Executivo.

Os inativos recebem menos: R$ 25.054 em nov/2025, 15% abaixo da média dos ativos do setor e acima da média dos inativos do Executivo (R$ 7.889). A média dos inativos (R$ 25.054) é a maior do Executivo entre os setores. Os 1.563 auditores fiscais inativos recebem em média R$ 42.684, mais que os ativos da mesma carreira (R$ 41.549), e os 1.253 gestores inativos, R$ 25.951.

Gráfico 1 – Remuneração Bruta Média dos servidores ativos e inativos – Fazenda e Executivo – Minas Gerais – nov/2018 a ago/2026

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA.

Nota: O Portal da Transparência só publica a folha completa dos inativos desde mai/2025. Em ago/2026, a remuneração inclui a verba indenizatória, que o Portal passou a divulgar em coluna própria em fev/2026.

O número de ativos caiu de 3.551 em nov/2018 para 2.733 em nov/2022 e se recuperou parcialmente, para 2.876 em nov/2025, ainda 19% abaixo de 2018. A Secretaria da Fazenda concentra 2.681 ativos; a Jucemg tem 175, e a Loteria Mineira, 20. A recuperação depois de 2022 veio sobretudo dos auditores fiscais, que passaram de 920 para 1.198, provavelmente com a posse de aprovados no concurso mais recente da carreira (a confirmar).

Gráfico 2 – Servidores ativos da Fazenda por órgão – Minas Gerais – nov/2018 a ago/2026

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Servidor = pessoa em cada situação (ativo ou inativo), contada uma vez.

Na Secretaria da Fazenda, a média dos ativos foi de R$ 31.000 em nov/2025, 11,7% acima de 2018 em termos reais. A Jucemg (R$ 7.287) e a Loteria Mineira (R$ 7.975) têm médias próximas à do Executivo. Dentro do setor, a distância entre a Secretaria e os órgãos vinculados é de mais de quatro vezes.

Gráfico 3 – Remuneração Bruta Média dos servidores ativos por órgão – Fazenda – Minas Gerais – nov/2018 e nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA. Linhas pontilhadas: médias dos ativos da Fazenda e do Executivo em nov/2025. Órgãos sem ativos em uma das datas aparecem apenas com o ponto disponível ou não aparecem.

O peso dos inativos

O setor tem 4.446 inativos, 61% dos seus servidores, que ficam com 57% da folha (R$ 111,4 milhões em nov/2025). Na Secretaria da Fazenda, os 4.286 inativos superam os 2.681 ativos, e a folha deles (R$ 110,6 milhões) é maior que a dos ativos (R$ 83,1 milhões). É a maior participação dos inativos na folha entre os setores do Executivo.

Gráfico 4 – Servidores e folha mensal de ativos e inativos por órgão – Fazenda – Minas Gerais – nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA.

Nota: Folha = soma da Remuneração Bruta Total 1, em R$ milhões. Entre parênteses, a participação dos inativos no órgão.

Faixas de remuneração em salários mínimos

Em salários mínimos (SM de R$ 1.518 em nov/2025), 77% dos ativos do setor recebem mais de 10 SM, 12% entre 5 e 10 SM e 7% entre 3 e 5 SM. Até 2 SM estão 0,8% dos ativos do setor, contra 27% no conjunto do Executivo e 70% entre os trabalhadores ocupados de Minas Gerais, segundo a PNAD Contínua do IBGE. Na outra ponta, 90% dos ativos do setor passam de 5 SM, contra 28% no Executivo e 8% entre os trabalhadores do Estado.

Gráfico 5 – Distribuição por faixa de salário mínimo: servidores ativos da Fazenda e do Executivo e trabalhadores ocupados de Minas Gerais e do Brasil – 2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Servidores: Remuneração Bruta Total 1 nominal de nov/2025 e salário mínimo de R$ 1.518. Trabalhadores: rendimento habitual de todos os trabalhos (IBGE, PNAD Contínua, SIDRA 7536); as proporções foram estimadas por interpolação entre os percentis publicados.

Por órgão, 54% dos ativos da Secretaria da Fazenda recebem mais de 20 SM, e 19%, mais de 30 SM. Na Jucemg, 63% estão entre 3 e 5 SM. Por carreira (botão Por carreira), quase todos os auditores fiscais e os servidores em funções de direção passam de 20 SM.

Gráfico 6 – Distribuição dos servidores ativos por faixa de salário mínimo, por órgão e por carreira – Fazenda – Minas Gerais – nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Remuneração Bruta Total 1 nominal de nov/2025; salário mínimo de R$ 1.518. Carreiras com 30 servidores ou mais.

Parte 2 – Principais carreiras

Os auditores fiscais da Receita Estadual, responsáveis pela fiscalização e pela cobrança de tributos, são a maior carreira do setor: 1.198 ativos em nov/2025, com média de R$ 41.549, praticamente no nível do teto do Executivo (R$ 41.845,49). Em termos reais, a média caiu 8% desde nov/2022 (R$ 45.284). Como boa parte da carreira já recebia no limite do teto, a correção do teto pela inflação passou a determinar a remuneração (Parte 3).

Os 741 gestores fazendários recebem em média R$ 28.770 (+10,3% desde 2018), e os 494 técnicos, R$ 11.206. Os servidores em funções de direção (84) recebem R$ 42.372. O número de gestores e técnicos caiu desde 2018: −28,4% e −32,0%, respectivamente.

Gráfico 7 – Remuneração Bruta Média e número de servidores ativos por carreira – Fazenda – Minas Gerais – nov/2018 e nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA.

Nota: Carreiras com 30 servidores ou mais em nov/2025, agrupadas pelo cargo efetivo informado na folha. Funções de direção identificáveis na folha prevalecem sobre o cargo efetivo.

Os cargos com mais servidores confirmam a concentração: o Auditor Fiscal da Receita Estadual (1.262 ativos, média de R$ 41.834) e o Gestor Fazendário (743, R$ 29.061) reúnem 70% dos ativos. O Técnico Fazendário de Administração e Finanças recebe em média R$ 12.448, e o Técnico de Gestão e Registro Empresarial, da Jucemg, R$ 6.050.

Gráfico 8 – Remuneração Bruta Média dos 10 cargos com mais servidores ativos – Fazenda – Minas Gerais – nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA.

Nota: Cargo informado na folha, inclusive contratos temporários, que o Portal identifica como cargos próprios. Gratificações por participação em órgãos colegiados e por encargos de curso ou concurso não foram consideradas.

Parte 3 – Desigualdade, mulheres e teto

O Índice de Gini da remuneração dos ativos, que vai de 0 (todos recebem o mesmo) a 1 (uma pessoa recebe tudo), caiu de 0,335 em nov/2018 para 0,298 em nov/2025, o quinto menor entre os 11 setores do Executivo. No conjunto do Executivo, o índice é de 0,411, e entre os trabalhadores de Minas Gerais, 0,463, segundo o IBGE. A desigualdade é baixa porque quase todos os servidores estão em carreiras bem remuneradas e próximas do teto. O próprio teto, ao limitar o topo, reduz a distância entre os extremos.

Gráfico 9 – Desigualdade da remuneração dos servidores ativos (Índice de Gini) por órgão – Fazenda – Minas Gerais – nov/2018 e nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Gini da Remuneração Bruta Total 1 dos ativos. Órgãos com pelo menos 100 ativos em nov/2018 e nov/2025. Trabalhadores de MG: Gini do rendimento de todos os trabalhos das pessoas ocupadas (IBGE, PNAD Contínua, SIDRA 7453).

A curva de Lorenz mostra a mesma coisa de outro jeito. No setor, os 10% mais bem pagos recebem 18% da remuneração dos ativos, e a metade com os menores valores fica com 28%. No Executivo, essas parcelas são de 30% e 22%.

Gráfico 10 – Curva de Lorenz da remuneração dos servidores ativos – Fazenda e Executivo – Minas Gerais – nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

As mulheres são 37% dos ativos do setor (eram 39% em 2018), contra 63% no Executivo. Por carreira, a participação feminina vai de 62% em Cargo comissionado sem cargo efetivo a 26% em Direção. Entre os auditores fiscais, elas são 26%. Como a folha não informa o sexo, ele foi estimado pelo primeiro nome.

Gráfico 11 – Participação das mulheres entre os servidores ativos por carreira – Fazenda – Minas Gerais – nov/2018 e nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Sexo estimado pelo primeiro nome (frequências do Censo 2010 do IBGE); exclui nomes ambíguos ou não encontrados.

No conjunto do setor, a Remuneração Bruta Média das mulheres (R$ 26.790) equivale a 87% da dos homens (R$ 30.930). A diferença vem da composição: as mulheres são minoria entre os auditores fiscais, a carreira mais bem paga. Dentro dela, as auditoras recebem em média R$ 43.066, um pouco mais que os auditores (R$ 40.958).

Gráfico 12 – Remuneração Bruta Média de mulheres e homens por carreira – Fazenda – Minas Gerais – nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA.

Nota: Carreiras com pelo menos 20 mulheres e 20 homens identificados.

O teto constitucional, igual ao subsídio do Governador (R$ 41.845,49 em 2025 e 2026), é decisivo na Fazenda. Em nov/2025, 1.832 servidores do setor tiveram a remuneração reduzida pelo abate-teto, um em cada quatro: 534 ativos e 1.298 inativos. Quase todos são auditores fiscais: 1.258 inativos e 434 ativos. O corte somou R$ 16,0 milhões no mês. Como o Portal só publica a folha completa dos inativos desde mai/2025, a comparação com os anos anteriores só pode ser feita para os ativos. Eram 675 em nov/2018 e 676 em nov/2022, e caíram para 534 em nov/2025, depois que o teto subiu de R$ 35.462,22 para R$ 41.845,49. Em ago/2026, o total chegou a 2.068: 693 ativos e 1.375 inativos. A alta vem da recomposição linear de 5,4% concedida a todo o Executivo pela Lei nº 25.804, de 31 de março de 2026, retroativa a janeiro e estendida a inativos e pensionistas, sobre um teto que não mudou. Entre nov/2025 e ago/2026, a remuneração nominal dos auditores fiscais antes do abate-teto subiu 6,2% entre os ativos e 5,4% entre os inativos. Parte da remuneração dos auditores é a Gratificação de Estímulo à Produção Individual (GEPI), cujo valor era reajustado todo ano por resolução conjunta da Fazenda e da Seplag, conforme a variação da arrecadação estadual (Decreto nº 46.284/2013). Em alguns anos, a atualização atrasou e foi paga depois com retroativos. Entre ago/2025 e nov/2025, a remuneração nominal dos auditores ativos antes do abate-teto subiu 4,5%, o que é compatível com uma atualização da GEPI no segundo semestre de 2025; o ato correspondente está a confirmar. Esse modelo foi questionado pelo STF, que considerou inconstitucional que a GEPI fosse fixada e reajustada pelo Executivo sem lei específica (Tema 1.427 da repercussão geral), mas manteve o pagamento até que seja absorvido por reajustes futuros. O PL 5.234/2026, que regula a GEPI e a Gratificação de Desempenho Individual (GDI), ainda tramita na Assembleia. Somando todos os vínculos e parcelas, inclusive as que a lei deixa fora do teto, como férias, indenizações e pagamentos eventuais, 1.140 servidores da Fazenda receberam mais que o teto em ago/2026.

Gráfico 13 – Servidores e o teto constitucional – Fazenda – Minas Gerais – nov/2018 a ago/2026

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Ativos e inativos. Teto = subsídio do Governador vigente em cada mês (R$ 30.471,11 em nov/2018; R$ 35.462,22 em nov/2022; R$ 41.845,49 em 2025 e 2026), em valores nominais.

Parte 4 – A estrutura de cargos

Os 2.780 servidores ativos com cargo efetivo do setor se distribuem em 31 cargos efetivos de denominação diferente. A Secretaria da Fazenda tem 25 cargos para 2.610 servidores, e a Jucemg, 9 para 160. Como o Portal não informa nível, grau ou classe, a quantidade de posições salariais é ainda maior.

Gráfico 14 – Cargos efetivos distintos e servidores por cargo, por órgão – Fazenda – Minas Gerais – nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Servidores ativos com cargo efetivo informado. Cargos de contrato temporário contados separadamente.

Cargos de mesmo nível pagam valores muito diferentes entre a Secretaria e a Jucemg. O Analista Fazendário de Administração e Finanças recebe em média R$ 24.320, contra R$ 8.718 do Analista de Gestão e Registro Empresarial da Jucemg. Entre os técnicos, a diferença é de R$ 12.448 para R$ 6.050. As carreiras fazendárias têm gratificações próprias, que os cargos dos demais órgãos não têm; quanto elas explicam da diferença está a confirmar.

Gráfico 15 – Remuneração Bruta Média de cargos efetivos de mesma família, por órgão – Fazenda – Minas Gerais – nov/2025

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Nota: Valores em R$ de dez/2025, corrigidos pelo IPCA.

Nota: Cargos com 5 servidores ativos ou mais, agrupados pela primeira palavra da denominação (Auxiliar, Assistente, Técnico, Agente, Analista, Especialista, Gestor). O tamanho do círculo indica o número de servidores.

Em síntese: quanto custa a Fazenda de Minas Gerais

A Fazenda custa cerca de R$ 195,9 milhões por mês em remuneração bruta, pagos a 7.322 servidores, ativos e inativos. Os principais destaques são:

  • A maior remuneração do Executivo. A média dos ativos da Fazenda (R$ 29.397) é 4,5 vezes a do Executivo. Com 1,3% dos servidores, o setor responde por 5,0% da folha.
  • Os inativos já custam mais que os ativos. Os 4.446 inativos recebem em média R$ 25.054 e ficam com 57% da folha do setor.
  • Um em cada quatro no teto. 1.832 servidores tiveram a remuneração reduzida pelo abate-teto em nov/2025, sobretudo auditores fiscais ativos e inativos. O corte somou R$ 16,0 milhões no mês. Em ago/2026, com a recomposição de 5,4% sobre um teto inalterado, eram 2.068.
  • Menos servidores na ativa. O setor tem 2.876 ativos, 19% a menos que em 2018. A recuperação depois de 2022 veio dos novos auditores fiscais.
  • Remuneração travada pelo teto. A média dos auditores fiscais (R$ 41.549) está no nível do teto e caiu em termos reais desde 2022.
  • Mulheres são minoria. Elas são 37% dos ativos e 26% dos auditores fiscais.

Esses números mostram o custo da folha da Fazenda. A despesa total do setor, que inclui custeio e investimentos, e sua relação com a receita do Estado serão tratadas nos próximos posts do Estadosfera em Números.

Como calculamos

Fontes, conceitos e escolhas deste diagnóstico estão explicados passo a passo em Como calculamos: a metodologia do Painel Remuneração em MG. Neste post, o setor Fazenda reúne a Secretaria de Estado de Fazenda, a Jucemg e a Loteria Mineira. As carreiras foram agrupadas pelo grupo de cargos informado na folha (auditores fiscais, gestores, técnicos, analistas e outros), e as funções de direção prevalecem sobre o cargo efetivo.

Fonte: Estadosfera Consultoria para o Desenvolvimento a partir do Portal de Transparência de MG.

Para citar: SILBERSCHNEIDER, Wieland. Fazenda em Minas: inativos ficam com 57% da folha e um em cada quatro servidores tem a remuneração cortada pelo teto. Estadosfera em Números, Belo Horizonte, out. 2026. Disponível em: https://www.estadosfera.com.br/estadosfera-em-numeros/minas-gerais/mg-remuneracao/fazenda-em-minas-inativos-ficam-com-57-da-folha-e-um-em-cada-quatro-servidores-no-teto/. Acesso em: [data do acesso].

Sobre Wieland 70 Artigos
Wieland Silberschneider é Doutor em Economia e Mestre em Sociologia pela Universidade de Minas Gerais.